O grupo dos copépodas, que já conta com mais de 10.000 espécies conhecidas (cerca de 600 no Brasil), acaba de ganhar cinco novos membros. As novas espécies foram descobertas por um grupo de pesquisa da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), liderado pelo biólogo Paulo Santos. Copépodas são crustáceos com um tamanho médio de 1,0 milímetro, que podem habitar tanto a areia como a coluna d’água dos oceanos.
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Desenho de partes do corpo de uma fêmea de Stenhelia sp. nov. (uma das espécies de microcrustáceos recém-descobertas) | | |
Encontrados no manguezal do canal de Santa Cruz, próximo à ilha de Itamaracá (PE), os novos copépodas pertencem à ordem Harpacticoida, representada por 3.000 espécies no mundo e cem no Brasil. Dos cinco, dois são do gênero Stenhelia (Delavalia); os outros três pertencem aos gêneros Enhydrosoma, Pabellonia e Halectinosoma.
Os Harpacticoida são um grupo bastante utilizado em ecotoxicologia devido ao seu hábito predominantemente bentônico, ou seja, vivem no sedimento (ou solo) do oceano. Por isso, esses crustáceos acabam expostos a poluentes, que tendem a se concentrar nessa região. O monitoramento contínuo do tamanho da população desses animais pode, portanto, servir de indicador da poluição na região.
"Outras vantagens desses microcrustáceos para a pesquisa são o seu pequeno tamanho e o seu ciclo de vida extremamente rápido", conta Santos. Isso permite que os pesquisadores realizem estudos sobre a taxa de crescimento e reprodução desses animais.
Os copépodas também têm aplicações mais comerciais. Devido a sua posição na cadeia trófica (são fonte de alimento para peixes, camarões, caranguejos e, especialmente, larvas de peixe), eles são bastante utilizados como substituto nutritivo na criação comercial de peixes.
O grupo de Paulo Santos, que inclui alunos de iniciação científica e da pós-graduação em Biologia Animal, pretende agora terminar a descrição das novas espécies e finalizar o estudo da ecologia da região. O trabalho envolve o laboratório de Dinâmica de Populações de Invertebrados Bentônicos da UFPE, o programa Institutos do Milênio e o Projeto Recursos Costeiros (Recos) do CNPq.