SOMENTE NO ACERVO
DA REVISTA CH
 
   
   
   
   
   
   
   
 
 
 NOTÍCIAS :: ZOOLOGIA

Poluição sonora pode prejudicar reprodução de baleia
Som de baixa freqüência gerado por navio e sonar impediria encontro de macho e fêmea

A Balaenoptera physalus, conhecida como baleia comum ou fin (’barbatana’ em inglês), é uma das espécies marinhas que corre perigo de extinção, segundo a União Internacional de Conservação (IUCN). Sua população, que já foi de 425 mil espécimes, hoje não passa dos 90 mil. O crescimento populacional dessa baleia é prejudicado pela poluição sonora nos oceanos, que dificulta o encontro entre machos e fêmeas e, conseqüentemente, todo o processo de reprodução. É o que sugere pesquisa coordenada por Donald Croll, da Universidade da Califórnia em Santa Cruz (EUA), e publicada em 20 de junho na revista Nature.

A B. physalus apresenta uma coloração característica: ventre cinza claro,
dorso cinza escuro, mandíbula branca do lado direito e preta do esquerdo
(imagem: Laboratório de Ornitologia / Universidade de Cornell)


Com mais de 20 metros de comprimento e quase 80 toneladas, a B. physalus é a segunda maior espécie de baleia (só perde para a B. musculus ou baleia azul). Ela é também uma das espécies mais rápidas: chega a atingir uma velocidade de 32 quilômetros por hora. Sua gestação dura cerca de 11 meses e origina um único filhote, com seis metros de comprimento e duas toneladas. Em geral, a fêmea engravida a cada dois ou três anos. A B. physalus alimenta-se de invertebrados e pequenos peixes e pode ser encontrada sobretudo no norte do oceano Atlântico e em outras regiões de clima temperado. Estudos anteriores mostraram que ela emite diversos sons de baixa freqüência, em geral inaudíveis para o homem.

Os pesquisadores estudaram baleias da espécie B. physalus que viviam na Baía de Loreto, no Golfo da Califórnia (México). Com instrumentos especiais, identificaram os animais que emitiam os sons de baixa freqüência e qual o seu sexo. Após um mês de estudo, constataram que apenas machos produziam esses sons. Além disso, ao analisar o sexo de todos os espécimes presentes na baía, perceberam que a quantidade de machos era muito semelhante à de fêmeas.

Como o número de baleias do sexo masculino e feminino era muito parecido e apenas os machos emitiam os sons de baixa freqüência, os cientistas concluíram que esses ruídos estariam relacionados à reprodução dos animais. O macho ’cantaria’ para atrair a parceira e suas ’canções’ poderiam, em princípio, ser escutadas por fêmeas a centenas de quilômetros de distância.

No entanto, ao longo do último século, sons com freqüências similares às dessas ’canções’ passaram a ser gerados em larga escala pelo homem: navios comerciais, sonares militares, estudos sísmicos e pesquisas acústicas nos oceanos produzem certos ruídos que, embora não sejam percebidos pelo ouvido humano, atrapalham a comunicação entre as baleias. A poluição sonora pode impedir as fêmeas de ouvirem o ’canto’ dos machos, o que prejudicaria a reprodução dos animais. Assim, a população de baleias do gênero Balaenoptera, que já foi bastante reduzida devido à caça predatória, pode diminuir ainda mais.

Fernanda Marques
Ciência Hoje On-line
29/07/02

 
  INÍCIO O INSTITUTO CH ON-LINE REVISTA CH CH DAS CRIANÇAS APOIO À EDUCAÇÃO CONTATO