Esquilos terrestres Spermophilus richardsonii são capazes de emitir um alarme ultra-sônico que alerta animais da mesma espécie para algum perigo iminente. O sinal é inaudível pelo homem e pelos predadores do roedor. Esta é a primeira vez que o uso de ultra-som é observado com essa função. O relato foi feito pelos pesquisadores David Wilson e James Hare, da Universidade de Manitoba, em Winnipeg, no Canadá, em artigo publicado na revista Nature em 22 de julho.
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Os esquilos terrestres da espécie S. richardsonii vivem em planícies de vegetação rasteira na América do Norte (foto: J. Hare) | | |
Ao observar os esquilos S. richardsonii, os pesquisadores notaram que seu grito de alerta produzia apenas lufadas de ar. Ao medir a freqüência desses sussurros, eles constataram que ondas ultra-sônicas de cerca de 50.000 Hz estavam sendo emitidas (o ouvido humano só é capaz de perceber sons cuja freqüência se situa entre 20 e 20.000 Hz). A observação surpreendeu os pesquisadores, pois outros esquilos terrestres em geral emitem alarmes de 8.000 Hz para alertar para o risco de perigo.
No reino animal, a utilização de ultra-sons já era conhecida, sobretudo entre morcegos e baleias, mas com função de orientação. Seu uso preventivo nunca havia sido registrado: essa estratégia pode ajudar os esquilos estudados a evitar o ataque de seus predadores -- aves de rapina principalmente.
Para se certificar da função dos ’sussurros ultra-sônicos’ observados, Wilson e Hare analisaram a reação dos esquilos a esses chamados e compararam com o comportamento dos roedores após a emissão de outros três tipos de sinais: ruídos de fundo (similares aos sons da floresta), alertas audíveis e ondas de ultra-som puro.
O resultado mostrou que tanto os alertas audíveis quanto os ’sussurros’ desencadearam estado de vigilância nos esquilos: os sinais ultra-sônicos provocaram uma reação menos pronunciada, porém mais duradoura. Um estado de alerta um pouco mais longo foi observado em reação aos sinais de ultra-som puro.
Além de inaudível a roedores maiores que predam os esquilos, o ultra-som é vantajoso por se dissipar rapidamente e ser altamente direcionável. Isso permite que os esquilos alertem apenas um grupo selecionado de animais, consangüíneos ou mesma espécie.
Segundo James Hare, os estudos continuarão a fim de determinar a função exata do alarme ultra-sônico: "Não sabemos se esses sinais dificultam a ação dos predadores do S. richardsonii ou restringem a região em que o alerta será recebido", afirmou Hare em entrevista à CH On-line. "Um dos passos para chegar a esta conclusão é verificar se os esquilos que emitem alarme ultra-sônico são menos propensos a ataques de predadores que aqueles que emitem alarmes audíveis."