Restos de fibras vegetais de sisal, eucalipto, coco e bananeiras que vão para o lixo todos os dias, em diversas regiões do país, agora podem ser usadas como matéria-prima para fabricação de telhas resistentes e de baixo custo para construção de habitações populares.
No projeto, realizado por pesquisadores do grupo de Construções Rurais e Ambiência, do Departamento de Zootecnia da Faculdade de Zootecnia e Engenharia de Alimentos (FZEA) da USP de Pirassununga, e financiado pelo Programa Habitare da Finep, o uso das Fibras Vegetais e de outros resíduos agroindustriais já produziu mais de 200 amostras diferentes. Cada amostra é submetida a diversos ensaios para comprovar a eficiência em critérios como resistência à flexão, absorção de energia, a permeabilidade e a não combustão.
O professor Holmer Savastano Junior, responsável pela equipe, explica que a argamassa básica para a fabricação das telhas é composta da escória de auto-forno moída, as fibras vegetais, areia e água e foi aprovada conforme normas internacionais para produtos voltados à construção de baixo custo.
As vantagens do uso destes materiais, ainda segundo Savastano, são a maior resistência a solicitações mecânicas (maior dificuldade de ruptura) e os custos mais baixos. O valor das matérias-primas pode ser, segundo estudos preliminares, até quatro vezes menor do que o do cimento amianto, por exemplo. O uso de equipamentos simples de produção, mão-de-obra convencional sem grande especialização e baixo consumo de energia também ajudam a diminuir os custos. "Outra vantagem é que a telha produzida dispensa acabamentos como pintura ou impermeabilizações".
A única ressalva feita pelo professor é de que a adequação do produto a matérias-primas disponíveis regionalmente deve ter acompanhamento técnico em cada caso para que sejam feitas as adaptações necessárias.