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 NOTÍCIAS :: TECNOLOGIA

Engenharia nuclear combate o narcotráfico 
Neutrongrafia é mais eficaz que os raios X na identificação de cocaína e explosivos

O uso de cães farejadores para detectar drogas em aeroportos pode estar com os dias contados: um sistema de identificação de cocaína com base na engenharia nuclear está sendo desenvolvido por pesquisadores da Coordenação de Programas de Pós Graduação em Engenharia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Coppe/UFRJ). Trata-se da neutrongrafia, que permite também localizar explosivos plásticos de grande poder de destruição, como o Semtex e o C-4. O método é totalmente seguro e mais eficaz que a usual radiografia.

 Imagem neutrongráfica revela cocaína em pasta (1) escondida sob 1 centímetro de espessura de chumbo (3)

O sistema consiste em expor uma mala suspeita a um feixe de nêutrons, que interagem com os átomos de hidrogênio componentes da cocaína. Expostos aos nêutrons, a droga ou o explosivo emitem partículas de raios gama que acusam sua presença na mala. Quanto maior a emissão desses raios, maior a presença do elemento procurado. "Os explosivos se caracterizam pela alta concentração de nitrogênio e oxigênio e baixa de hidrogênio e carbono. Já os narcóticos possuem alta concentração de hidrogênio e carbono e baixa de nitrogênio e oxigênio", explica o engenheiro nuclear Ademir Xavier da Silva, que desenvolveu a técnica em tese de doutorado pela Coppe. Após a exposição aos nêutrons, se houver algum sinal da presença de explosivos, a mala é exposta a uma série de seis neutrongrafias que facilitam a localização da bomba e tornam mais seguro o seu desarmamento.

A neutrongrafia é mais eficaz que os raios X para identificar compostos dissimulados por materiais pesados, como o chumbo. "Pela técnica de raio X, quanto mais pesado for o material que esconde a droga ou os explosivos plásticos, mais difícil será a identificação da amostra ", explica Vergínia Reis Crispim, engenheira nuclear da UFRJ que orientou a pesquisa de Ademir.

A inovação dos pesquisadores é o uso da técnica para detectar cocaína. Em seu estágio atual de desenvolvimento, o processo é considerado passivo, e ainda não é viável para a aplicação em grande escala, uma vez que a radiografia de nêutrons demora cerca de 45 minutos para ficar pronta. Para aperfeiçoar o método e implementá-lo nos sistemas viários brasileiros, os cientistas precisam de recursos para desenvolver uma unidade de identificação instantânea. "Com essa unidade, o sistema acusaria a presença das drogas e explosivos em apenas seis segundos por bagagem inspecionada", garante Vergínia. 

Rachel Ruiz Romano
Ciência Hoje On-line

 
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