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 NOTÍCIAS :: TECNOLOGIA

Jovem pesquisador desenvolve tinta antiincrustante
Produto é feito a partir de algas vermelhas encontradas no litoral brasileiro

Uma tinta antiincrustante atóxica foi desenvolvida nos laboratórios do Departamento de Biologia Marinha da Universidade Federal Fluminense (UFF) por um estudante de nível médio com a orientação de um doutorando em biotecnologia vegetal pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). O material tem como função evitar que algas marinhas e mexilhões se fixem nos cascos de navios e prejudiquem a navegação dessas embarcações. A aplicação também pode ser feita nos cais de portos. As tintas usadas atualmente são feitas com cobre ou estanho, materiais tóxicos que podem contaminar os seres humanos pelo consumo direto dos mexilhões ou através da cadeia alimentar (pelo consumo de peixes que se alimentam das algas ou dos mexilhões, por exemplo). A pesquisa, desenvolvida por Thiago Ribeiro, de 16 anos, ganhou o primeiro lugar no concurso Cientistas do Amanhã.

Balsas usadas no teste de novos
antiincrustantes, em Arraial do Cabo (RJ)

A nova tinta é produzida a partir de um composto natural, orgânico e halogenado (contendo halogênios como o cloro e o bromo) que foi isolado de algas vermelhas do litoral brasileiro. Essas algas produzem uma substância biodegradável que evita a incrustação de outros seres nelas mesmas sem matar ou envenenar os mexilhões. Ao contrário das usadas atualmente, a tinta desenvolvida por Thiago não evita a fixação das algas por intoxicação, mas por repelência. Por ainda estar em fase de patenteamento, o nome da substância ativa não foi divulgado.

A tinta não afeta o meio ambiente e se enquadra nas definições da Marine Pollution (Marpol), regulamentação internacional da Organização Marítima Internacional, da qual o Brasil é signatário, que cuida das questões ligadas à poluição marítima. Ela determina que, até o ano de 2003, as tintas antiincrustantes que contenham o TBT (tributil estanho) não estejam mais no mercado.

Os testes do novo produto foram feitos em um campo de prova da Marinha, na cidade de Arraial do Cabo (RJ). Três placas de metal foram colocadas dentro do mar, uma sem nenhum tratamento, outra com tinta convencional e a terceira com a nova tinta. Nas placas, foram fixados os mexilhões da espécie Perna perna (conhecidos popularmente como sururu). A placa em que havia sido aplicado o produto natural apresentou o melhor resultado. Segundo Bernardo da Gama, orientador do trabalho, os testes continuarão por algum tempo. "Para ser comercializada, a substância não poderá ser extraída diretamente das algas, devendo ser sintetizada em laboratório. Já imaginou a quantidade de algas necessária para pintar um único navio de grande porte?"

No experimento, três tipos de placas foram usados: uma para controle, uma
tratada com o extrato da alga vermelha Laurencia obtusa (a nova tinta)
e outra com sulfato de cobre (CuSO4), uma substância antiincrustante tóxica

Pedro Lent
Ciência Hoje On-line
27/07/00  

 
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