Uma nova técnica limpa e barata pode minimizar os danos ao meio ambiente causados pela produção industrial de aço inoxidável colorido. O único processo usado atualmente consiste no mergulho das chapas em uma solução química a 80 graus centígrados e envolve reações geradoras de gases tóxicos. Além de poluente, a técnica consome muita energia e reagentes químicos, resultando em um custo final alto, e os métodos de controle não são precisos o suficiente para garantir a obtenção das cores desejadas. Entretanto, apesar de tantas desvantagens, o aço colorido é amplamente empregado em elementos decorativos e na arte contemporânea.
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Chapas, parafusos e tubos de aço colorido produzidos com a nova técnica | | |
A nova técnica é única no Brasil e foi desenvolvida na Fundação Centro Tecnológico de Minas Gerais (Cetec). Sob a orientação da engenheira química Rosa Junqueira, criou-se nos laboratórios da instituição um meio de fabricação de aço colorido realizado à temperatura ambiente. No novo processo, as chapas de aço são mergulhadas em um banho químico onde são submetidas a uma corrente elétrica. O controle da intensidade da corrente e da forma de suas ondas permite obter uma gama de cores muito maior que as alcançadas pelo processo anterior. O controle da reprodutibilidade das cores das chapas é realizado por análise em um espectofotômetro de refletância, aparelho que indica se as ondas luminosas por elas refletidas são exatamente as mesmas que se deseja.
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Diferentes aplicações do aço colorido | | |
"Nosso processo, além de mais limpo, é bem menos caro que o antigo, já que há economia de energia e do material químico, que pode ser reaproveitado", declarou Rosa. Segundo ela, o aço colorido obtido por sua técnica apresenta vantagens até sobre o sem cor. O que caracteriza o aço inoxidável é o revestimento de uma fina película[1] de óxidos de cromo. No processo do Cetec, as cores são obtidas devido a mudanças na espessura dessa película, que provocam interferência nas ondas luminosas refletidas. O espessamento adicional do aço torna-o ainda mais resistente à ação dos fatores externos, como a umidade e a radiação ultravioleta.
O desenvolvimento do novo processo de colorização do aço foi parcialmente financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (Fapemig). A tecnologia foi transferida dos laboratórios da Cetec para a empresa mineira Inoxcolor, que está aplicando a técnica à fabricação de suas peças de aço inoxidável colorido.