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[1] O estudo da transmissibilidade térmica realizado em um shopping foi o que apresentou a menor taxa de redução no consumo de energia. Isso é atribuído ao clima pouco agressivo do Brasil - a diferença entre a temperatura do ar de conforto para o ser humano e a temperatura ambiente varia em torno de 10° C. Na Europa, a variação chega facilmente a 20° C. "No caso brasileiro, o problema da transmissibilidade térmica não é tão importante quanto os outros casos analisados", explica Lomardo. O resultado revela ainda que o shopping possui isolamento térmico adequado, já que foi construído em alvenaria e blocos de concreto. "Os principais componentes de carga térmica a serem removidos pelo ar condicionado local são as fontes internas de calor como pessoas, lâmpadas e equipamentos, e não externa, como a radiação solar e a condução do ar", explica a pesquisadora. 

 
 NOTÍCIAS :: TECNOLOGIA

Otimizar o uso da luz natural
Adoção de certas normas na construção pode reduzir consumo de energia em prédios

Ao contrário de outros países, o Brasil integra um pequeno grupo que ainda não dispõe de normas que otimizem o uso de energia nas edificações, o que evitaria desperdício de recursos naturais. Embora abundantes no país, esses recursos continuam mal explorados em projetos arquitetônicos. Para fundamentar uma nova legislação brasileira que regulamente a questão, a pesquisadora Louise Bittencourt Lomardo defendeu uma tese de doutorado sobre o aproveitamento da luz natural, na Coordenação de Programas de Pós-Graduação em Engenharia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Coppe/UFRJ).

Prédios com 100% da fachada composta por vidraças são pouco eficazes
em uma cidade como o Rio de Janeiro, que tem sol o ano inteiro


Segundo Lomardo, medidas simples como o uso da luz artificial como complemento da natural bastariam para reduzir o consumo de energia elétrica. "Como a nebulosidade varia com a hora do dia, o uso de equipamentos automatizados como o dimmer, que desliga a luz artificial quando a natural é suficiente, manteria o nível de iluminação adequado", explica. Para ela, a alternativa aumentaria o conforto ambiental dos usuários do prédio.

Lomardo simulou em três edificações do Rio de Janeiro o uso das principais alternativas propostas pelas normas estrangeiras: a transmissibilidade térmica[1] das fachadas de um shopping, a potência de iluminação por metro quadrado de um supermercado e a proporção da área de janelas de um prédio administrativo. Os resultados apontam que a observação desses parâmetros na construção pode levar a uma economia no consumo de energia de 22% no supermercado, 15% no prédio administrativo e 1% no shopping.

No caso do supermercado, a pesquisadora simulou o uso de luminárias mais reflexivas e lâmpadas mais eficientes, que melhoram a distribuição da luz e o gasto de energia. "A norma americana recomenda o consumo de 15 watts de potência e o supermercado gastava trinta", compara. A área das janelas também tornou-se um fator determinante na redução do consumo. "Não adianta construir prédios com 100% da fachada composta por vidraças em uma cidade como o Rio de Janeiro, que tem sol o ano inteiro", explica Lomardo. "A temperatura ambiente sobe e aumenta o uso do ar condicionado." Após as análises, a pesquisadora concluiu que o prédio estudado deveria ter apenas 30% de vidraça nas fachadas.

Para reverter essa deficiência em projetos arquitetônicos, Lomardo acredita que a regulamentação e certificação da eficiência energética predial deveria ser implantada no Brasil. "Essa seria uma forma de conscientizar o consumidor quanto à qualidade do produto que está adquirindo e de criar um vínculo mais estreito entre construtor e usuário final", diz Lomardo. "A regulamentação poderia ser inicialmente voluntária e gradativamente mais exigente, e atingiria apenas os grandes consumidores de energia."

Cristina Souto
Ciência Hoje On-line
13/02/01

 
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