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 NOTÍCIAS :: TECNOLOGIA

A energia que vem das ondas
Especialistas avaliam potencial do litoral brasileiro para a implantação de centrais

Usinas que geram eletricidade a partir das ondas do mar podem ser uma alternativa para a busca cada vez maior por formas limpas e baratas de energia. Alguns exemplares já estão em operação em escala experimental ao redor do mundo, e estuda-se a possibilidade de implantar a novidade no Brasil. A energia das ondas esteve em debate durante a Conferência Internacional sobre Mecânica Off-shore e Engenharia Ártica (Omae 2001), realizada em junho pela Coordenação de Programas de Pós-graduação em Engenharia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Coppe/UFRJ).

Ondas encobrem a Central de Ondas da Ilha do Pico, no
arquipélago de Açores (fotos cedidas por Antônio Falcão)


No evento, especialistas portugueses apresentaram a experiência da Central de Ondas da Ilha do Pico, implantada no arquipélago dos Açores. A usina deve entrar em operação em julho e tem capacidade para abastecer uma população de 1000 habitantes. Seu princípio de funcionamento é simples: uma estrutura de concreto de cerca de 12 metros quadrados de superfície e 14 metros de altura é instalada na orla. As ondas são canalizadas na direção da estrutura de forma que o vai-vem da água provoque a compressão e descompressão do ar no interior de um vão. O fluxo do ar faz girar uma turbina que, por sua vez, aciona um gerador de eletricidade.

Esquema de funcionamento da Central da Ilha do Pico



O custo das usinas de ondas é pequeno, segundo o engenheiro mecânico Antônio Falcão, da Universidade Técnica de Lisboa, que estuda a tecnologia há 23 anos. "O preço de uma central similar à da Ilha do Pico é da ordem de um milhão de reais." Além disso, trata-se de uma forma de energia limpa, renovável e de pouco impacto ambiental. As usinas de ondas, no entanto, não podem gerar grande quantidade de energia. Os exemplares que existem hoje (em países como Escócia, China ou Índia) têm pequena capacidade de geração. "É necessário implantar muitas unidades de potencial relativamente pequeno", afirma Falcão.

A energia das ondas passou a ser estudada sistematicamente a partir do choque do petróleo de 1973. Uma central pioneira foi instalada na Noruega dois anos depois. Desde 1991, o desenvolvimento da tecnologia tem sido estimulado pela União Européia, que vem demonstrando interesse em construir centrais de ondas em grande escala.

O Instituto Nacional de Engenharia e Tecnologia Industrial de Portugal e a Coppe estão estabelecendo uma cooperação para a possível implantação de centrais de ondas no Brasil. Os especialistas portugueses vão avaliar o potencial da costa brasileira. "Trata-se de um estudo geomorfológico", afirma a engenheira Maria Teresa Pontes, do instituto português. "Verificamos se a rocha é ideal ou se há muita areia, por exemplo."

Ao final dessa etapa, os especialistas determinarão os melhores pontos para a construção das centrais. O ideal é que as ondas sejam numerosas e, sobretudo, regulares, e que a usina se situe na proximidade de grandes centros, onde haja infra-estrutura de estradas e rede elétrica. "Vamos estudar alguns pontos do litoral de São Paulo e Rio de Janeiro", afirma Pontes. 

Bernardo Esteves
Ciência Hoje On-line
07/06/01  

 
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