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 NOTÍCIAS :: TECNOLOGIA

Peixe elétrico pode monitorar qualidade da água
Variação de tensão levaria à criação de técnica para detectar vazamentos

Adotar peixes elétricos para ajudar a monitorar a qualidade das águas, permitir a detecção de vazamentos de petróleo e alertar sobre a concentração de poluentes de forma mais rápida que os instrumentos tradicionais: isso é o que pretendem pesquisadores do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa). Como o campo elétrico desses peixes varia em função da alteração das propriedades físico-químicas do meio, ele pode indicar a qualidade da água.

Peixes do gênero Apteronotus. Cientistas analisarão como a água poluída afeta
o campo elétrico de de duas espécies desse gênero (fotos: David Santana)


A análise do campo elétrico desses peixes é o objetivo de um estudo desenvolvido sob orientação de José Alves Gomes, oceanólogo do Inpa. Os resultados podem levar ao desenvolvimento de uma técnica de baixo custo para o monitoramento da poluição da água de rios próximos a fábricas ou poços de petróleo. O projeto tem conclusão prevista para o final de 2002.

De acordo com José Alves Gomes, serão analisadas as reações entre as substâncias provenientes da água de perfuração e do óleo cru com o campo elétrico dos peixes. A água de perfuração é aquela que sai misturada ao óleo retirado dos poços de petróleo, sendo, portanto, rica em metais pesados. Em seguida, serão escolhidos cinco elementos presentes nesses meios (como mercúrio, cádmio, chumbo, níquel ou cobre, por exemplo) e sua influência sobre o campo elétrico dos peixes será analisada.

Esse campo é sensível aos poluentes e à alteração das propriedades físico-químicas da água, como a dissociação de substâncias em íons negativos e positivos. "Quanto mais condutiva a água, por exemplo, mais rápido o campo elétrico do peixe diminui de intensidade", diz José Alves Gomes. Certos elementos poluentes alteram a concentração de sódio e potássio das células dos peixes e, com isso, afetam sua descarga elétrica.

A Acima, o Apteronotus albifrons. Peixes desse gênero foram escolhidos
para o estudo por apresentar estabilidade de descarga elétrica


Os pesquisadores pretendem trabalhar com peixes de campo elétrico de baixa tensão (da ordem de 1 V). Para que sirva de parâmetro para as medições, o ideal é que essa tensão seja estável. Serão analisados mais de 150 peixes de duas espécies do gênero Apteronotus, devido a sua conhecida estabilidade de descarga. A idéia é usar uma bomba para capturar a água dos rios para um aquário com um Apteronotus, onde a descarga do peixe será monitorada por computadores antes de a água ser devolvida a seu percurso normal. Um alarme deve tocar caso a qualidade da água seja duvidosa.

A princípio, os cientistas não teriam como identificar os poluentes presentes na água sem o auxílio de técnicas tradicionais como a análise em laboratório. O que se pretende é identificar as características alteradas no campo elétrico dos peixes quando entrarem em contato com cada tipo de metal. A partir desses dados, talvez seja possível dizer quais são os poluentes em maior concentração na água.

Aline Pereira
Ciência Hoje On-line
13/06/01

 
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