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 NOTÍCIAS :: TECNOLOGIA

Melhor diagnóstico para distúrbios da visão
Aparelho identifica por refração da luz deficiências ignoradas por método convencional

Um aparelho capaz de diagnosticar a maioria dos distúrbios da visão de forma mais precisa que as técnicas tradicionais foi desenvolvido por pesquisadores do Instituto de Física da Universidade de São Paulo. Batizado de wave-front, o aparelho permite ainda identificar um número maior de deficiências, como distorção de campo ou coma (os métodos usuais só identificam miopia, astigmatismo e hipermetropia). Nos casos em que a cirurgia é indicada, o wave-front é também capaz de determinar o ponto exato da ablação (retirada do tecido da córnea).

 Por inspiração da astronomia, o wave-front identifica
distúrbios da visão a partir dos princípios de refração da luz

De acordo com o coordenador do projeto, o professor Luis Alberto de Carvalho, o wave-front aplica o princípio físico da refração. Um feixe de laser de baixa potência ilumina o fundo do olho. Nem toda a luz é absorvida; aquela que a retina não capta é refratada para a córnea e passa por um sensor. Esse sensor envia as informações para um computador, que as analisa e determina se o paciente é portador de algum distúrbio.

"O wave-front é constituído por lentículas semelhantes ao olho de um inseto", conta Luis Alberto. Num olho emétrope (normal), os pontos luminosos são distribuídos de forma regular, o que não acontece num olho imperfeito. O wave-front identifica a partir das lentículas padrões irregulares na distribuição desses pontos e, com isso, diagnostica as deficiências mais sensíveis da visão.

Técnicas semelhantes também são desenvolvidas nos EUA e, desde 1994, na Universidade de Heidelberg (Alemanha). No entanto, segundo Luis Alberto, o projeto brasileiro é mais simples e preciso que os estrangeiros. A eficiência pode ser atribuída ao sensor de frente de ondas; quanto maior o número de pontos, maior a resolução e melhor o diagnóstico. "O sensor brasileiro apresenta cerca de 6000 pontos; os estrangeiros têm apenas 200."

O projeto do wave-front teve início em agosto de 2000. Em seis meses, a equipe desenvolveu um protótipo do equipamento e obteve resultados satisfatórios. A expectativa é que em outubro de 2001 o aparelho possa ser produzido em larga escala para comercialização. No entanto, Luis Alberto acredita que somente com o tempo o wave-front será popularizado. A princípio, ele seria utilizado em clínicas e hospitais, onde o grande número de pacientes compensaria o alto investimento.

A inspiração para construir um aparelho a partir dos princípios de refração da luz partiu da astronomia. Os telescópios são ajustados pelos astrônomos, que corrigem as alterações óticas da imagem de galáxias e estrelas causadas pela alteração das propriedades da luz assim que incide na atmosfera terrestre. "Os resultados promissores das pesquisas com o wave-front possibilitam uma nova fase no diagnóstico dos distúrbios da visão."

Aline Pereira
Ciência Hoje On-line
13/07/01

 
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