SOMENTE NO ACERVO
DA REVISTA CH
 
   
   
   
   
   
   
   
 

[1] Coletores solares para geração de energia elétrica são placas de silício (chamadas painéis fotovoltaicos) ligadas a uma bateria que alimenta lâmpadas e aparelhos elétricos. Neste caso, a luz solar é convertida diretamente em energia elétrica. Quando os raios solares atingem os painéis fotovoltaicos, os elétrons de silício movimentam-se mais rápido que o normal e geram eletricidade.

 
 NOTÍCIAS :: TECNOLOGIA

Piscinas solares são alternativa para crise energética
Diferença de concentração de sal na água pode gerar energia térmica limpa

A incidência solar no Brasil é impressionante: em média, cada metro quadrado do território recebe anualmente 2150 quilowatts-hora (kWh) -- só no Saara, maior deserto do planeta, encontra-se um índice superior. No entanto, o país não utiliza a luz do sol para gerar energia, o que soa paradoxal em tempos de crise energética. Com o objetivo de aproveitar esse potencial, o engenheiro eletricista José Roberto Abbud, professor na Universidade Santa Cecília (Santos/SP), desenvolveu em sua tese de mestrado na Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (USP) o projeto Piscina Solar em Ciclos Combinados.

Piscina solar de El Paso, no Texas (EUA)  (foto: Herb Hein / Salinity gradient solar pond)


Já existente em outros lugares do mundo, a piscina solar de gradiente salino é um recipiente de água salgada com um isolante térmico preto no fundo e camadas horizontais com diferentes concentrações de sal. Essa diferença impede que as camadas superiores de água quente desçam e as inferiores, frias, subam para a superfície devido à diferença de densidade (convecção natural). Com isso, o calor fica armazenado e permite produzir energia térmica de maneira limpa, mesmo à noite, com o tempo nublado e no inverno, o que significa uma vantagem em relação aos coletores solares[1], que precisam constantemente da luz.

Nessa primeira etapa, o calor armazenado é utilizado apenas para esquentar a água. Em seguida, ele produz energia elétrica quando utilizado em um sistema acoplado a um turbogerador alimentado por uma solução de água e amônia (ciclo combinado). O calor armazenado no fundo da piscina provoca a mudança de estado da solução, gerando vapor sob pressão, o qual aciona o gerador e produz energia elétrica.

O pesquisador ressalta também a possibilidade de se usar as piscinas solares para acelerar o processo de decomposição do lixo. O calor produzido pela piscina pode ser lançado num biodigestor alimentado com lixo orgânico e esgoto sanitário. O resultado da decomposição é o gás metano. Embora seja um dos causadores do efeito estufa, esse gás tem diversas utilidades como iluminação, combustível para geração de vapor e produção de água potável. O hidrogênio presente nesse gás pode ser separado para alimentar células combustíveis -- outra alternativa para gerar energia elétrica.

Capaz de abastecer casas populares e indústrias, a piscina solar tem tamanhos que podem variar de uma caixa d’água a vários campos de futebol. Ela pode ser construída em qualquer lugar que receba radiação solar, com melhor aproveitamento em latitudes menores que 40o e abaixo do nível do solo. Por enquanto, a única piscina solar existente no Brasil é a da casa de Abbud -- um projeto piloto com 0,8 m2, talvez a menor unidade já construída. Para a implantação em maior escala da tecnologia, o pesquisador diz que seria necessária uma parceria com a iniciativa privada ou pública.

Pesquisadores que desenvolvem projetos semelhantes
ao do professor Abbud ou interessados
em financiar o projeto da piscina solar podem
entrar em contato pelos telefones
(13) 3561-5002 / 9112-6922 ou por e-mail.

Andrea Guedes
Ciência Hoje On-line
27/08/01  

 
  INÍCIO O INSTITUTO CH ON-LINE REVISTA CH CH DAS CRIANÇAS APOIO À EDUCAÇÃO CONTATO