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 NOTÍCIAS :: TECNOLOGIA

Escadas e elevadores ajudam desova de peixes
Barragens prejudicam migração e reprodução de espécies que realizam piracema

No período de reprodução, cardumes de certas espécies de peixes nadam até centenas de quilômetros rio acima em busca de um local apropriado para fazer a desova. O fenômeno, conhecido como piracema (que, em tupi, significa saída do peixe), ocorre no período chuvoso, quando sobe o nível dos rios. Ao fim das chuvas, formam-se lagoas às margens dos rios, onde as ovas ficam detidas. Nesses locais, as chances de sobrevivência dos filhotes são maiores, pois as águas são ricas em alimento. As espécies que realizam a piracema são geralmente maiores e abundantes e, por isso, de maior importância para a pesca comercial e amadora.

No entanto, o fenômeno pode ser prejudicado pela construção de barragens de represamento, que impedem os peixes de completar seu percurso e afetam o ecossistema dos rios. Com o objetivo de estudar alternativas para contornar o problema, foi criado na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) o Centro de Estudos em Mecanismos de Transposição de Peixes. O órgão reúne biólogos e engenheiros que projetam e operam estruturas nas barragens que permitem aos peixes ultrapassar as barreiras e continuar seu percurso até encontrar o local ideal para a desova. A solução encontrada pelos biólogos e engenheiros do Centro foi projetar e construir canais, ’elevadores’ e ’escadas’ nos locais das barragens e garantir a migração dos peixes.

As escadas, como pode ser observado na imagem ao lado, são canais constituídos de uma série de tanques em desníveis que levam a água de cima do reservatório para baixo. Os tanques são separados por paredes que têm como objetivo tornar o escoamento da água mais adequado para a subida dos peixes. Os elevadores, por sua vez, são caçambas içadas por cabos que transportam os peixes de jusante para montante de uma barragem.

Após avaliarem a necessidade de construção de passagens em determinadas barragens, os cientistas trataram de criar estruturas eficientes para cada caso. "Os canais devem ser construídos de forma que as águas não passem com uma velocidade muito alta e que a posição de sua entrada seja localizada pelos peixes facilmente", afirma o biólogo Alexandre Godinho, diretor do centro.

Atualmente, o Centro de Estudos em Mecanismos de Transposição de Peixes trabalha com a operação de um canal em Igarapava (MG) e estuda a necessidade de construção de passagens em 24 outras barragens do estado. O centro conta com o apoio financeiro da Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig) e do Fundo Brasileiro para a Biodiversidade (Funbio).

Caroline Vilas Bôas
Ciência Hoje On-line
02/01/02

 
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