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[1] A falta ou deficiência de insulina -- hormônio responsável pelo metabolismo dos açúcares do corpo -- provoca o diabetes. Portanto, pacientes portadores da doença não controlam sozinhos a glicemia e devem verificá-la diariamente. Para isso, o diabético fura o dedo ou outra parte do corpo e extrai uma pequena amostra sangüínea. Com uma tira de papel contendo um químico -- a tira reagente --, o doente provoca uma reação com o sangue e obtém seu nível de açúcar. | |
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| NOTÍCIAS :: TECNOLOGIA |
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Análise de íris pode indicar taxa de açúcar no sangue Software apontaria glicemia de diabéticos sem necessidade de uso de agulhas |
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Diabéticos são obrigados a furar constantemente a pele para medir a taxa de açúcar no sangue (glicemia). No intuito de acabar com esse sofrimento, pesquisadores da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) estão desenvolvendo um método de medição que dispensa o uso de agulhas. Feita por meio de análise da alteração da cor dos olhos, a novidade pode até reduzir os gastos dos pacientes com testes tradicionais.
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Processamento de imagens da íris para estimativa da taxa de açúcar no sangue (fotos: Laboratório de Metrologia e Automatização / UFSC) | | | Segundo Armando Albertazzi, engenheiro que coordena o estudo, a íris (região colorida dos olhos) sofre transformações de tamanho, textura e cor em função da saúde da pessoa. A proposta da equipe da UFSC é criar um software capaz de associar modificações na íris às variações da glicemia. Para isso, o paciente deverá capturar imagens digitais de seus olhos e transferi-las para o computador.
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Dispositivo de aquisição de imagens e computador para análise das características da íris | | | O projeto, chamado Sistema Glucoíris, surgiu em 1999. "Gostaria de amenizar o sofrimento de minha filha diabética", recorda-se o engenheiro. "Não é fácil para uma criança de oito anos furar o dedo quatro vezes ao dia." Desde então, duas dissertações de mestrado foram escritas sobre o tema e há uma terceira em curso.
Na primeira, concluída em dezembro de 2001, um protótipo do software foi desenvolvido e um voluntário com diabetes avaliado. Na segunda, defendida em março de 2002, foram monitorados sete voluntários (cinco doentes e dois sadios) de diferentes sexos e faixas etárias e de olhos verdes, castanhos e azuis.
Durante dois anos, Cesare Quinteiro, autor da dissertação, fotografou os olhos dos voluntários e mediu em seguida a glicemia pelo método tradicional. Quinteiro descobriu que certas regiões da íris variam de cor conforme a quantidade de açúcar no sangue. No entanto, não há um padrão: cada indivíduo manifesta em um lugar diferente da íris a alteração de glicose. "Tivemos de formular uma tabela de comparação de cor e glicemia para cada um", conta Albertazzi.
Descobriu-se também que, quanto mais viva a cor da íris, maior a presença de açúcar no sangue. Porém, olhos de cores diferentes apresentam graduações distintas de cor. "Pode ser que tenhamos de desenvolver um software capaz de reconhecer a graduação de cada um, ou um programa para cada cor de olhos", explica Albertazzi.
Segundo o engenheiro, a desvantagem do método é o custo inicial para o doente, ainda que ele possa se tornar mais acessível no futuro. É preciso que o diabético disponha de computador e máquina fotográfica digital e que adquira o programa (cujo valor ele ainda não é capaz de estimar) e o sensor de detecção da íris. "O gasto anual de um diabético só com tiras reagentes[1] gira em torno de 800 dólares (R$ 1,60 cada). Nosso aparelho só representará custo no ato da compra."
Os próximos passos da pesquisa são o aperfeiçoamento do sistema de captação de imagens e o aumento da precisão do software. A longo prazo, ainda é preciso responder perguntas como quais regiões da íris são afetadas apenas pela glicemia e qual o fator de maior influência sobre sua cor. "Serão necessários pelo menos dez anos para que o Glucoíris possa ser utilizado comercialmente", diz Albertazzi. |
Paula Americano Ciência Hoje On-line 10/04/02 |
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