Eleições de 2006: acesse o site de conexão segura www.eleicoes2006.gov.br, confirme sua identidade e senha e pronto - você pode escolher seus representantes on-line, onde quer que esteja, por meio de uma cédula eletrônica. Esse cenário ainda está longe de se tornar uma realidade, mas nas discussões sobre voto via internet, não faltam propostas que se dizem à prova de hackers, perda da privacidade do voto, pessoas que votem no lugar de outras ou até acesso restrito a certos grupos sociais. Os adeptos da idéia garantem que o sistema on-line seria mais uma opção para se exercer o direito ao voto e tornaria a votação mais fácil e acessível.
Debates como esse não são raros no meio científico. O uso das novas tecnologias de informação e comunicação como meios alternativos de democracia tem chamado a atenção de pesquisadores do mundo inteiro. De olho no tema, os cientistas políticos José Eisenberg, do Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro (Iuperj) e Marco Cepik, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), organizaram o livro Internet e política - teoria e prática da democracia eletrônica.
A publicação resultou do seminário internacional Internet, democracy and public goods, promovido pela UFMG em 2000. Ela reúne artigos de pesquisadores brasileiros e estrangeiros sobre três temas principais: o impacto das novas tecnologias sobre a política das democracias contemporâneas, exemplos práticos de sua aplicação em políticas públicas e a exclusão digital, tema explorado no artigo conjunto de Eisenberg e Cepik.
Os pesquisadores apontam como as novas tecnologias de informação e comunicação têm o potencial de produzir soluções rápidas e inovadoras para antigos problemas, mas podem também gerar novos obstáculos, especialmente ao criar novas formas de exclusão como a digital. Eisenberg e Cepik apontam-na como grande entrave para a criação de uma democracia eletrônica efetiva. Para eles, caberia aos governos federal e local garantir a democratização do acesso eletrônico às informações e serviços públicos.
O artigo de Leda Guidi é uma resposta à demanda de iniciativas contra a exclusão digital. Em Bolonha, na Itália, ela coordena um projeto de uma ’rede cívica’ gratuita na Internet, o projeto Iperbole. O primeiro serviço implementado foi criado para ajudar os cidadãos a comunicar-se com o governo local. Trata-se de um direcionador de mensagens, "que lê o pedido ou a reclamação enviados por e-mail e decide, com base em um conjunto de palavras-chave que descrevem as atividades de cada repartição, para onde direcioná-los".
Para evitar que a cidade se dividisse entre os que sabem lidar com a rede e os que a desconhecem, foram criados cursos de internet para os interessados em aprender a usá-la. Assim, até se poderia pensar no acesso à rede como um direito de todo cidadão, conforme aspiram Eisenberg e Cepik. Por enquanto, o fim da exclusão digital é um sonho que insiste em não se tornar realidade.
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Internet e política - teoria e prática da democracia eletrônica José Eisenberg e Marco Cepik (org.) Belo Horizonte, 2002, Editora UFMG 315 páginas - R$ 35 |