O meio rural brasileiro está passando por uma grande transformação: as atividades não-agrícolas assumem uma importância cada vez mais expressiva. Essa tendência foi apontada na análise de dados coletados a partir de 97, reunidos no livro O Novo Rural Brasileiro, lançado no dia 15 de junho. Os autores da obra são Clayton Campanhola, da Embrapa Meio Ambiente, e José Graziano da Silva, do Instituto de Economia da Unicamp. Até agora, eles se valeram de estatísticas do IBGE para traçar esse surpreendente panorama, mas pretendem sair a campo no próximo mês para comprovar seus resultados.
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Agricultura ocupa cada vez menos espaço na economia rural | | |
Entre 1981 e 1997, a proporção de pessoas ocupadas nos meios rurais envolvidas em atividades não-agrícolas passou de 20 para 30%. Mesmo campos de trabalho tidos como tipicamente urbanos, como a construção civil e a indústria de transformação, vêm apresentando grande crescimento. No entanto, a campeã de desenvolvimento é a prestação de serviços, representada principalmente pelos chamados "pesque-pague" e pelo turismo. Além de ser a principal fonte de complementação de renda dos agricultores, o setor movimenta consideravelmente a economia rural. "Na região de Campinas e, ouso dizer, no estado de São Paulo, 80% dos peixes consumidos vêm de pesque-pagues", exemplifica Clayton Campanhola.
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A proliferação dos "pesque-pague" atesta o crescimento do setor de serviços | | |
Esse novo horizonte de desenvolvimento começa a segurar os habitantes rurais no campo. O movimento de migração em direção à cidade - o chamado êxodo rural - vem diminuindo ao longo dos anos, e começa a apresentar uma reversão, embora não haja uma política de ocupação da zona rural. Moradores dos centros urbanos estão se mudando para grandes condomínios em áreas rurais, que geram empregos adicionais. Ainda assim, as condições de vida no campo permanecem inferiores às da cidade. Pouco mais de 60% da população rural têm acesso a esgoto sanitário e luz elétrica, contra mais de 95% na população urbana. Falta ainda uma infra-estrutura mais ampla, como escolas, bancos e sistemas de transporte.
O pensamento antigo de que o meio rural é exclusivamente agrícola ainda predomina, por mais que se forneçam dados em contrário. E apesar do crescimento das atividades não-agrícolas, Campanhola não acredita que essa tranformação seja uma ameaça para a agricultura. "Pelo contrário, ela vai se fortalecer com todas essas novas atividades lhe dando suporte."