Ter pais alcoólatras é um fator de risco para o desenvolvimento de dependência química em adolescentes. A conclusão foi tirada pela pesquisadora Vilma Aparecida da Silva, do Departamento de Psiquiatria da Universidade Federal Fluminense (UFF), que analisou dados coletados em entrevistas com pais de adolescentes dependentes de drogas atendidos no Centro Regional Integrado de Atendimento ao Adolescentes (CRIAA) da UFF. Os resultados corroboram dados descritos na literatura internacional sobre o assunto. O índice de pais alcóolatras foi maior que os encontrados em outros estudos brasileiros semelhantes.
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58% dos pais e 18% das mães dos adolescentes dependentes pesquisados eram alcóolatras | | |
O perfil traçado por 55 entrevistas revelou que 58% dos pais de adolescentes dependentes de drogas eram alcoólatras, contra um índice de 12% esperado para homens brasileiros; entre as mães, 18% costumavam beber em excesso, em contraste com a expectativa de 3% para brasileiras. Foi constatada também uma grande freqüência de tabagismo entre os pais: em 16 casos, tanto o pai quanto a mãe eram fumantes. A pesquisadora catalogou ainda os casos de quatro pais e um padrasto usuários de drogas ilícitas.
A faixa etária dos adolescentes pesquisados variava de 11 a 18 anos; a maioria (73,3%) tinha entre 15 e 17 anos. Eles apresentavam nível fraco de escolaridade, renda baixa e uma situação familiar nem sempre estável: 18% já haviam sofrido violência doméstica, 44% tinham pais divorciados, 21% eram órfãos ou foram adotados; 35% tinham pais vivendo juntos. Maconha e cocaína eram as drogas mais utilizadas pelos adolescentes. A maior probabilidade que os filhos de pais alcóolatras têm de se tornar usuários de drogas pode estar associada a uma fraca estrutura familiar durante estágios de desenvolvimento crítico. "O que causa o uso de drogas é uma infância desamparada", analisa Vilma Silva.
Os adolescentes foram submetidos a acompanhamento psicológico e psiquiátrico, mas a adesão ao tratamento foi problemática entre eles. Entre os 20 adolescentes atendidos pelo CRIAA por mais de seis meses, 16 reduziram o consumo de drogas, em especial de cocaína. No entanto, o tratamento se mostrou menos efetivo para o consumo de álcool e nicotina. Segundo a pesquisadora, isso sugere que há uma tolerância social ao uso dessas drogas lícitas.