Os atentados terroristas de 11 de setembro de 2001 ao World Trade Center e ao Pentágono, nos Estados Unidos, levaram ao aumento da discriminação contra grupos religiosos e étnicos, em especial muçulmanos. Essa foi a conclusão de um relatório feito em conjunto por pesquisadores da Universidade de Leicester (Inglaterra) e da Universidade Vrije de Amsterdam (Holanda) para avaliar o impacto de um evento de escala mundial no nível de preconceito e discriminação sofrido por cinco grupos religiosos e sete etnias na Inglaterra.
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Coluna de fumaça no local onde se erguiam as torres do World Trade Center antes dos atentados (imagem: Space Imaging / satélite Ikonos) | | |
Realizado por meio de questionários, o estudo contou com quase quatrocentos participantes, mais de 85% residentes das cidades inglesas de Leicester e Stoke-on-Trent. Foram avaliadas tanto experiências de discriminação geral (estereótipos negativos na mídia, agressão física, tensões raciais etc), bem como casos de ’racismo implícito’, ou ’moderno’. Esse tipo se manifesta quando não se admite o preconceito, mas mesmo assim se age de maneira discriminatória. No estudo, ele foi estimado a partir da ocorrência no dia-a-dia de situações como ser tratado de forma rude, ser observado atentamente numa loja ou não ser levado a sério.
O relatório indicou que os muçulmanos não só eram o grupo religioso com maior risco de sofrer discriminação, tanto geral quanto implícita, antes de 11 de setembro, como também foram os que tiveram o maior aumento desde então. Sikhs e hindus também correm maior risco de racismo implícito desde o atentado, mas em menor grau que o dos muçulmanos. Já o risco de racismo moderno contra cristãos e judeus diminuiu depois do ataque. Em termos de etnia, os paquistaneses e os bengaleses mostraram o maior aumento no risco de se tornarem alvo do racismo geral e implícito.
Os resultados do estudo dão suporte à teoria de que eventos mundiais afetam a percepção e atitude de um grupo social em relação a um grupo externo. No caso, o grupo externo-alvo é o composto por muçulmanos. O estudo demonstra também que o julgamento de grupos sociais percebidos como similares (sikhs e hindus) ao grupo externo-alvo são influenciados negativamente, numa espécie de homogeneização. Esse fenômeno tende a aumentar em épocas de crise, mas diminui conforme a distância do evento no tempo aumenta. No entanto, a ’guerra ao terrorismo’ promovida pelos EUA e a subseqüente deposição do regime Talibã no Afeganistão podem contribuir para a manutenção dessa situação.
O relatório revela ainda que o racismo implícito não está limitado à raça e pode existir com base religiosa. Em alguns casos, a religião poderia ser um fator mais determinante para discriminação do que a etnia, como no caso de ’islamofobia’ -- um preconceito baseado na diferença física e religiosa dos muçulmanos. Segundo os pesquisadores, o fenômeno precisa ser objeto de novas pesquisas, já que os estudos existentes sobre discriminação religiosa são limitados.