Que o Brasil é marcado pela desigualdade e exclusão social não é novidade. Mas qual seria o reflexo desse quadro na distribuição da população em classes sociais? Esse fenômeno tem efeitos diferentes nos meios rural e urbano? Qual a influência da educação de cada trabalhador sobre sua renda?
Essas são algumas das questões que o sociólogo José Alcides Figueiredo Santos, professor da Universidade Federal de Juiz de Fora (MG), procura responder no livro Estrutura de posições de classe no Brasil. A partir de uma análise empírica, o autor investiga o impacto das posições de classe na vida dos indivíduos. A fim de aplicar uma tipologia de posições e segmentos de classe em seu estudo, Alcides comparou a base de microdados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) de 1981 e 1996.
O autor analisa primeiramente as teorias neomarxistas de Eric Olin Wright, responsável por um dos programas mais abrangentes de estudo da estrutura de classes no capitalismo tardio nos países europeus, asiáticos e americanos. Segundo ele, o impacto da posição de classe de cada indivíduo está ligado ao modo como esse fator afeta suas experiências de vida nas esferas do trabalho e do consumo.
Alcides traz esse pensamento para o Brasil: traduz os conceitos marxistas em indicadores e mede as variáveis a partir de estatísticas oficiais. Com tabelas e dados empíricos, ele mostra que certas categorias consideradas homogêneas são na verdade heterogêneas, como a de auto-empregado. Eles são divididos segundo o critério de controle de ativos produtivos: incluem-se o médico profissional liberal (auto-empregado especialista), o microcomerciante e os ’biscateiros’ (auto-empregado precário). Estes representam 14,7% dos trabalhadores, o que reflete um elevado excedente da mão-de-obra.
A análise de classes considera os grupos ocupacionais, a posição nas hierarquias organizacionais e os atributos da esfera do trabalho. Segundo a PNAD, 73,5% dos trabalhadores domiciliares não remunerados se encontram inseridos em atividades do setor agrícola; os capitalistas estão amplamente concentrados em setores não agrícolas (94,4%).
Outro ponto abordado no livro é a associação entre educação e renda. Ao levar em conta o background social, formado pela posição de classe e a educação dos pais, o autor mostra que ele tem grande impacto sobre a renda dos descendentes.
Para os interessados pela sociologia no Brasil e para aqueles que buscam entender a realidade social a partir da análise de classes o livro é um importante instrumento de estudo, de leitura fácil. Porém, para aqueles que não têm familiaridade com alguns autores e conceitos da sociologia, o livro pode se tornar complicado, já que nem sempre contextualiza para o leigo as referências teóricas.
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Estrutura de posições de classe no Brasil - mapeamento, mudanças e efeitos na renda José Alcides Figueiredo Santos Belo Horizonte/Rio de Janeiro, 2002, Editora UFMG/Iuperj 362 páginas - R$ 36 |