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[1] Todos os seres vivos que participam do ciclo do carbono apresentam uma quantidade equilibrada de carbono-14 na mesma proporção em relação aos outros isótopos de carbono existente na atmosfera. Após a morte, a quantidade de C-14 em um organismo começa a cair. A meia-vida do C-14 é de aproximadamente 5500 anos, ou seja, a cada período de 5500 anos, a quantidade desse isótopo no organismo cai pela metade. Assim, conhecendo-se a meia-vida do C-14 e a quantidade desse isótopo em um organismo, é possível calcular a data de sua morte.

 
 NOTÍCIAS :: QUÍMICA

Autenticidade do mapa de Vinland volta a dividir cientistas 
Estudos divergem sobre idade do suposto primeiro registro cartográfico das Américas

A autenticidade do mapa de Vinland, supostamente o mais antigo registro cartográfico das Américas, voltou a dividir a comunidade científica com a publicação recente de dois estudos. Esse mapa, que representa o mundo conhecido no século 15 -- inclusive a costa do Labrador, no nordeste da América do Norte, além de parte da Groelândia e da Islândia --, teria sido feito por vikings antes da chegada de Colombo ao Novo Mundo em 1492 (escavações indicam que esse povo chegou à América no século 11). Assim que foi achado, em 1957, análises cartográficas apontaram que ele fora elaborado por volta de 1440. Mas outros estudos feitos a seguir ora afirmavam que ele era uma fraude, ora comprovavam sua legitimidade.

O mapa de Vinland está guardado na biblioteca de obras
raras da Universidade de Yale, nos Estados Unidos


Um artigo publicado em 31 de julho na revista Analytical Chemistry, da Sociedade Química Americana, afirma que o mapa é uma fraude por conter um composto químico sintetizado somente após 1923. O outro, publicado na edição de agosto da revista Radiocarbon, concluiu por meio da datação por carbono-14 que o pergaminho usado no mapa data de 1434, com margem de erro de onze anos.

No estudo que contesta a autenticidade do documento, a equipe de Robin Clark, da University College London (Inglaterra), identificou os pigmentos presentes no mapa a partir de uma técnica chamada espectroscopia Raman. Os cientistas verificaram a presença de duas tintas: uma amarelada, fortemente incrustada no pergaminho, e por cima uma preta. Clark concluiu que a tinta preta foi feita a partir de carbono e a amarela contém anatásio (uma forma rara de dióxido de titânio).

Segundo Clark, as manchas amareladas não podem ter sido produzidas naturalmente por tintas à base de carbono. Além disso, o anatásio só foi sintetizado quimicamente a partir de 1923. Assim, a espectroscopia seria "a prova definitiva de que o mapa foi feito após 1923 e que as manchas amarelas foram inseridas para forjar seu envelhecimento", conclui o artigo.

Em vermelho, as áreas do mapa analisadas pela espectroscopia que apontou a presença de anatásio, o que contestaria a autenticidade do documento


Já o estudo que defende a autenticidade do mapa foi realizado pela equipe de Douglas Donahue, da Universidade do Arizona (EUA). Um pedaço do pergaminho do mapa, feito de couro de carneiro, foi analisado a partir da técnica de datação pela presença do isótopo carbono-14[1] (C-14). Donahue verificou a proporção de C-14 que restava no pergaminho hoje e calculou a proporção que deveria haver por volta do ano 1440 -- quando o mapa teria sido elaborado.

Se a proporção de C-14 em 1440 fosse similar à que havia na atmosfera desse ano, o mapa seria autêntico. A proporção de C-14 na atmosfera de um determinado ano pode ser descoberta a partir da análise da proporção desse isótopo nos anéis concêntricos que se formam anualmente no tronco de uma árvore. Após analisar uma árvore que já vivia por volta de 1440, os cientistas concluíram que "a taxa de carbono encontrada no pergaminho é 95% compatível com a presente na atmosfera entre os anos 1411 e 1468".

Que conclusão tirar dos artigos contraditórios? Afinal, o mapa de Vinland é verdadeiro? Para o geógrafo Alexandre Afonso de Souza, do Grupo de Estudos Arqueológicos de Santa Catarina (GEAR-SC), "o interessante da questão não é a comprovação científica da autenticidade ou da fraude, mas sim o mito e a magia que a discussão provoca".

Denis Weisz Kuck
Ciência Hoje On-line
26/08/02

 
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