A represa Billings e os lagos da cidade de São Paulo escondiam três espécies de cianobactérias desconhecidas pelo meio científico. A Sphaerocavum brasiliensis, a Coelosphaerium evidenter-marginatum e a Microcystis panniformis foram descobertas durante o projeto de catalogação de espécies potencialmente tóxicas de cianobactérias desenvolvido pelas pesquisadoras Célia Leite Sant’Anna e Maria Teresa Azevedo, ambas do Instituto de Botânica da Secretaria do Meio Ambiente do Estado de São Paulo.
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Duas das novas espécies: a Coelosphaerium evidenter-marginatum (esq.) e a Sphaerocavum brasiliensis (dir.), catalogada em um novo gênero | | |
As cianobactérias, também conhecidas como cianofíceas ou algas azuis, apresentam ao mesmo tempo características de bactérias e de algas. Elas são organismos celulares procariotas, ou seja, não possuem núcleo ou organelas envolvidos por membranas. Além disso, realizam fotossíntese como as plantas superiores.
Uma das cianobactérias encontrada pelas pesquisadoras do Instituto de Botânica teve que ser catalogada em um novo gênero, batizado de Sphaerocavum. O nome, que significa "esfera oca", foi escolhido porque as células dessas cianobactérias apresentam forma esférica e estão dispostas na periferia da colônia. A Sphaerocavum brasiliensis apresenta aerótopos (vesículas conjugadas gasosas) que ajudam na flutuação da cianobactéria nos lagos e reservatórios. Já a Coelosphaerium evidenter-marginatum não apresenta esse tipo de vesícula, e a organização de suas células se dá na margem da colônia. Vista através do microscópio, a colônia desses microorganismos se assemelha a um colar de pérolas.
As novas espécies estão sendo submetidas a testes de potencial tóxico. Não há como definir uma cianobactéria como tóxica ou atóxica, pois uma espécie pode demonstrar ser tóxica e, quando coletada em outra ocasião, não apresentar a mesma característica. "Ninguém sabe porque as cianobactérias comportam-se assim. É intrigante", afirma a pesquisadora Maria Teresa Azevedo.
O despejo de esgoto sem tratamento nos reservatórios paulistas enriquece a água com fósforo e nitrogênio, um processo conhecido como eutrofização. A eutrofização causa a reprodução excessiva das cianobactérias nos reservatórios. O fenômeno, conhecido como floração, pode causar a mortandade de peixes e contaminar a água pelas toxinas produzidas pelas cianofíceas. "As cianobactérias apresentam neurotoxinas e hepatotoxinas que podem causar, respectivamente, parada respiratória e doenças no fígado", explica a pesquisadora Maria Teresa Azevedo.