Bactérias em plena atividade metabólica foram encontradas no Pólo Sul, em um ambiente considerado extremamente adverso ao desenvolvimento de vida, devido ao frio excessivo, às altas doses de radiação ultravioleta e à escassez de luz e água. Não é novidade a existência de microorganismos em condições das mais hostis, mas não se tinha idéia de que eles podiam viver em temperaturas tão baixas. "Já foram encontradas bactérias até mesmo em rejeitos radioativos concentrados, no fundo da terra e no meio das rochas, mas nunca em frio tão forte", disse à Ciência Hoje on-line Douglas Capone, do Instituto Wrigley para Estudos do Meio Ambiente, na Califórnia, um dos autores da descoberta. Em seu trabalho no Pólo Sul, Capone e Edward Carpenter, da Universidade do Estado de Nova York em Stony Brook, encontraram as novas bactérias em temperaturas entre -12 e -17 graus Celsius, realizando normalmente a síntese de DNA e proteínas.
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As novas bactérias, em imagem da equipe de Edward Carpenter | | |
Algumas amostras das novas bactérias foram coletadas e analisadas microscopicamente. Estudos comparativos mostraram que diversas seqüências de seu DNA eram semelhantes às das bactérias do gênero Deinococcus, encontrado em diversos pontos do continente antártico. Acredita-se que esse gênero seja uma das mais antigas ramificações na evolução das bactérias, e que ele já existia antes que a Antártica ocupasse sua posição atual. "Ainda é cedo para dizer que são do mesmo gênero", afirma Douglas. "Entretanto, trata-se, pelo menos, de um parente próximo." A análise do código genético das novas bactérias continua sendo executada para que se possa enfim chegar a alguma conclusão quanto a sua identidade.
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As bactérias encontradas podem pertencer ao gênero Deinococcus.Acima, a espécie Deinococcus radiodurans | | |
As bactérias recém-encontradas talvez não sejam as últimas formas exóticas de vida descobertas no planeta. Alguns micróbios foram encontrados vivos em um pedaço de gelo retirado das profundezas do continente antártico. Eles seriam provenientes do misterioso Lago Vostok, o que se suspeita ser uma vasta extensão de água milhares de metros abaixo da camada de gelo do continente. A região ainda é um dos poucos lugares desconhecidos do planeta, e a descoberta de novos microorganismos certamente contribuirá para a expansão dos limites da vida conhecida na Terra. A existência de vida em condições hostis sugere ainda que, em outros lugares do Sistema Solar, possam ser encontrados organismos vivos - em escala microscópica, pelo menos.