Pesquisadores da Universidade Johns Hopkins, nos Estados Unidos, descobriram como a bactéria Listeria monocytogenes - uma fonte comum de intoxicação alimentar presente em comida industrializada - se locomove entre células vizinhas do corpo humano, infectando-as. A pesquisa, desenvolvida por Scot C. Kuo e James L. McGrath, foi publicada na edição de 26 de outubro da revista Nature.
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A Listeria monocytogenes é uma fonte comum de intoxicação alimentar | | |
A Listeria se esconde no citoplasma de células intestinais para não ser detectada pelos leucócitos (que integram o sistema de defesa do corpo). Dentro das células hospedeiras, a bactéria se alimenta e se multiplica até provocar seu rompimento e morte. Antes disso, ela secreta moléculas de uma proteína chamada actina, que se juntam em filamentos formando uma cauda com aparência de ’foguete’. Esses filamentos são estruturas extracelulares que crescem próximos à bactéria.
Enquanto os blocos de proteínas são incorporados à cauda, a Listeria se apóia neles e é impulsionada para frente na direção de outras células hospedeiras. Em seguida, ela pára e, assim que ocorre nova síntese e exportação de proteínas, o movimento é retomado. Cada ’passo’ que a bactéria dá corresponde à adição de um bloco de proteínas à cauda.
"A novidade desse estudo está na constatação de que a Listeria se move passo-a-passo, ao contrário do que se pensava", afirma Ana Beatriz Pacheco, pesquisadora do Instituto de Biofísica da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Teorias anteriores sustentavam que os filamentos cresciam e empurravam a bactéria na direção de seu próximo alvo de forma suave e contínua. "A descoberta contribui também para o avanço no estudo da listeriose", completa Ana Beatriz.
Para observar o movimento da bactéria, um laser foi construído dentro de um microscópio óptico, o que aumentou sua sensibilidade. Desenvolvido por Kuo, o instrumento permitiu o exame de células vivas e o registro do movimento da Listeria. Os pesquisadores acreditam que os resultados possam ajudar na observação do movimento de outros agentes patógenos, além de jogar nova luz sobre o modo como as células se movem e controlam sua forma.