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| NOTÍCIAS :: MICROBIOLOGIA |
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Abundância de archaea em mar aberto Grupo de microorganismos só havia sido encontrado antes em ambientes marginais |
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Uma grande quantidade de microorganismos do grupo archaea foi identificada em larga escala no Oceano Pacífico. Antes disso, esse grupo - um dos três tipos de domínio celular do planeta - só havia sido encontrado em ambientes marginais. A descoberta foi feita por pesquisadores da Universidade do Havaí e do Instituto de Pesquisa Aquário da Baía de Monterey, e relatada na edição de 25 de janeiro da revista Nature.
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Três espécies diferentes de archaea do grupo crenarcheota, um dos dois abundantemente encontrados no Oceano Pacífico | | | Atualmente, os seres vivos se dividem em cinco reinos: Monera, Protista, Fungi, Animalia e Plantae. Quanto à estrutura celular, os organismos podem ser divididos ainda em procariotos e eucariotos. O reino Monera é o único formado por organismos com células do tipo procariótico, em que o material genético está disperso no citoplasma e a única membrana existente é a plasmática, que delimita a célula externamente.
Hoje, conhecem-se duas categorias de organismos do tipo procariótico: eubactérias e archaea, ambas unicelulares. A princípio, as archaea eram classificadas como bactérias, mas após algumas décadas de estudo, foram observadas divergências bioquímicas entre os dois grupos de microorganismos. "Eles possuem paredes celulares diferentes", explica o biólogo José Mariano Amabis, da Universidade de São Paulo (USP). "Além disso, a organização dos genes nas archaea é mais parecida com a das plantas e dos animais que com a das bactérias."
As archaea começaram a ser pesquisadas nos anos 1970. Desde então, têm sido encontradas com mais freqüência em ambientes marginais como fontes termais com temperatura acima de 70o C, águas hipersalinas e fendas vulcânicas submarinas. No entanto, o artigo da Nature relata que elas estão presentes em número surpreendente em mar aberto. "Quando se descobriu que a relação de parentesco entre bactérias e archaea não era tão estreita, já foi um grande impacto", conta José Mariano. "Descobrir que as archaea conseguem explorar grande parte do oceano também vai chamar a atenção e talvez nos ajude a conhecer melhor esses microorganismos."
Os autores do artigo examinaram amostras recolhidas no Oceano Pacífico em colunas de água que compreendem vários níveis de profundidade, da superfície até 4750 metros. Eles identificaram dois grupos de archaea em grande quantidade, e concluíram que elas poderiam compor 50% da biomassa da zona mesopelágica do Oceano Pacífico.
Segundo David Karl, um dos pesquisadores, a distribuição das archaea sugere que uma estratégia de adaptação muito comum permitiu que elas se espalhassem pelos oceanos em diferentes profundidades. Ele acredita que a descoberta causará impacto sobre a visão que se tem do funcionamento ecológico dos oceanos. "Ela mostra que sabemos muito pouco sobre o planeta em que vivemos." |
Andressa Camargo Ciência Hoje On-line 15/02/01 |
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