Um método capaz de tornar ratos de laboratório imunes à toxoplasmose -- doença que afeta a maior parte dos seres humanos, mas que só se manifesta em indivíduos imunodeficientes --, foi desenvolvido por cientistas da Universidade de Darmouth (EUA). O estudo, publicado na edição de 21 de fevereiro da revista Nature, pode contribuir para o desenvolvimento de vacinas que previnam doenças como a malária, provocadas por organismos similares ao protozoário causador da toxoplasmose, o Toxoplasma gondii.
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Toxoplasma gondii, protozoário que causa a toxoplasmose | | |
O T. gondii é transmitido normalmente pela ingestão de carne crua ou mal cozida e pelas fezes de gatos. Embora a toxoplasmose não afete grande parte dos contaminados, pode causar graves defeitos em bebês infectados durante a gravidez.
Liderados pelo microbiólogo David Bzik, pesquisadores modificaram geneticamente o T. gondii e conseguiram torná-lo inofensivo. Eles inativaram a enzima responsável pela produção das pirimidinas, componentes que, com as purinas, formam o material genético dos seres vivos.
A maioria dos microrganismos tanto é capaz de fabricar os elementos necessários para a produção de seu DNA quanto de obtê-los a partir do organismo do hospedeiro. Mas, de acordo com Bzik, "o T. gondii parecia depender de apenas uma maneira para obter os constituintes de seu material genético."
Os pesquisadores constataram que o protozoário produz as piridiminas (uracila, timina e citosina), mas é incapaz de obter esses componentes a partir do hospedeiro. Isso foi comprovado quando eles tornaram inativo o gene que sintetiza a enzima CPS II, responsável pela produção das pirimidinas. Desativada a enzima, o protozoário perdeu a capacidade de se replicar e sobreviver no organismo hospedeiro.
Além de tornar o protozoário inofensivo, a modificação genética fez com que ratos de laboratório inoculados com o mutante ficassem imunes a doses letais de T. gondii normais: para surpresa dos cientistas, eles haviam criado uma vacina.
"Achamos que a mesma abordagem pode ser feita com o parasita causador da malária", disse Bzik à CH on-line. Segundo ele, existem algumas dificuldades em utilizar uma vacina contra a malária que inclua protozoários incapazes de provocar a doença. Mas "outra possibilidade seria usar nosso T. gondii mutante para transportar antígenos da malária."