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 NOTÍCIAS :: MICROBIOLOGIA

Revelada estrutura do vírus do dengue
Arquitetura do agente infeccioso pode ajudar a combater uma série de doenças

Pesquisadores da Universidade de Purdue e do Instituto de Tecnologia da Califórnia, ambos nos Estados Unidos, determinaram a estrutura do vírus causador do dengue -- doença responsável por 24 mil mortes em todo mundo por ano. Esta é a primeira vez que um flavivírus tem sua arquitetura descrita. O trabalho, publicado em oito de março na revista Cell, pode ajudar a desenvolver drogas e até vacinas contra o dengue. Os resultados do estudo permitiriam ainda compreender as estratégias utilizadas pelo vírus para infectar as células humanas.

A primeira imagem detalhada de um flavivírus é
a do agente causador do dengue

Os flavivírus têm seu código genético formado por uma única molécula de ácido ribonucléico (RNA) e são transmitidos ao homem pela picada de mosquitos contaminados. Os pesquisadores acreditam que todos os membros desse grupo de vírus apresentam estruturas e atividades muito semelhantes. Dessa forma, o conhecimento da arquitetura do agente causador do dengue pode ajudar a compreender uma série de outras infecções virais que acometem humanos, como encefalites e febre amarela.

As doenças provocadas por flavivírus são muito graves. Por isso, durante seus experimentos, os cientistas usaram microrganismos modificados geneticamente que não oferecem riscos à saúde. "Para determinar a estrutura do agente causador do dengue, utilizamos uma técnica que combina centenas de imagens do vírus em duas dimensões", explica Michael Rossmann, pesquisador da Universidade de Purdue e um dos responsáveis pelo trabalho. "Essa mistura de imagens oferece uma representação tridimensional do agente infeccioso."

Os cientistas já conheciam uma glicoproteína (proteína ligada a açúcares) amplamente encontrada na superfície do vírus do dengue. Com a imagem em três dimensões obtida, eles puderam identificar como as moléculas dessa substância se organizam para formar a camada mais externa do microrganismo. "A superfície do vírus é lisa, exceto nas regiões em que as moléculas de glicoproteína se associam", diz Rossmann. Entre o estrato de glicoproteínas e o material genético do vírus, os pesquisadores encontraram uma membrana dupla de lipídios. Ao contrário do que já foi observado em outros vírus, componentes dessa camada lipídica quase não aparecem na superfície do agente causador do dengue.

Em geral, a membrana dupla de lipídios participa do mecanismo de entrada dos vírus nas células hospedeiras. "Como no vírus do dengue essa camada lipídica está pouco exposta, é provável que a estrutura do agente infeccioso sofra algumas mudanças durante o processo de invasão das células", afirma Rossmann. "Já iniciamos estudos sobre os mecanismos utilizados pelo vírus para fundir sua membrana lipídica à da célula hospedeira e iniciar a infecção." Mais detalhes da arquitetura do vírus e de suas atividades químicas e biológicas podem revelar alvos para novas drogas contra o dengue e outras doenças causadas por flavivírus.

Fernanda Marques
Ciência Hoje On-line
15/03/02

 
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