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 NOTÍCIAS :: MICROBIOLOGIA

Bactéria e levedura podem combater poluição de rios
Microrganismos convertem metais dissolvidos na água em sua forma insolúvel

Uma dupla de microrganismos encontrada em um córrego da cidade de Paracatu (MG) é capaz de remover metais pesados da água de rios e lagos contaminados. O ’casal’ é formado por uma bactéria e uma levedura que vivem em simbiose, ou seja, crescem juntas e dependem uma da outra para sobreviver. Segundo pesquisadores do Centro Tecnológico de Minas Gerais (Cetec) e da Universidade Católica de Brasília, os microrganismos conseguem converter os metais poluentes dissolvidos na água em sua forma insolúvel, que pode ser facilmente recolhida.

Os curiosos microrganismos foram encontrados no Córrego Rico, em Paracatu (MG)


Durante suas buscas em rios e lagos por microrganismos que pudessem ser úteis na remoção de metais da superfície de rochas, em estudo financiado pelo CNPq e pelo Fundo Nacional do Meio Ambiente (FNMA), os cientistas acabaram por encontrar a dupla que separa metais pesados da água. "Ainda não conseguimos fazer a bactéria e a levedura crescerem separadamente nem identificamos suas espécies", conta a pesquisadora Patrícia Pimentel, do núcleo de biotecnologia do Cetec. Contudo, os cientistas já verificaram algumas características dos microrganismos.

A bactéria cresce em meio ácido e não precisa de açúcares para sobreviver, pois oxida metais para obter energia e usa gás carbônico como fonte de átomos de carbono. Já a levedura muda sua forma e cor de acordo com o ambiente em que se encontra. "Ela forma colônias redondas e amarelas quando está em meio sem açúcar. Porém, na presença dessa substância, se organiza em estruturas filamentosas de coloração preta", conta Pimentel.

No entanto, a característica mais interessante dessa dupla foi observada durante ensaios em que os microrganismos eram colocados em soluções aquosas de metais pesados como mercúrio e alumínio. "Imediatamente após a adição dos microrganismos, os metais se depositavam no fundo do tubo de ensaio", explica a pesquisadora.

Essa capacidade dos microrganismos de separar metais poluentes pode ser útil na limpeza de ecossistemas aquáticos. "A aplicação da dupla seria bastante conveniente, pois os métodos tradicionais de despoluição de rios e lagos são muito caros", afirma Pimentel. "Porém, o uso desses microrganismos só será possível se encontrarmos um modo de acelerar seu crescimento e produzi-los em larga escala." Vale lembrar que os metais pesados removidos da água poderiam ser ainda reaproveitados na fabricação de diversos produtos.

Fernanda Marques
Ciência Hoje On-line
20/05/02

 
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