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[1] "O movimento desses seres, a velocidade de migração, o momento magnético e outras grandezas são característicos de um organismo. Como as observações realizadas mostram o comportamento de um ser com unidade, que possui coordenação entre células, acredito que sejam organismos bacterianos", observa Lins de Barros. "Isso nos tem levado a discutir com Jorge Wagensberg, de Barcelona, critérios para se definir um indivíduo sob o ponto de vista evolutivo."
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| NOTÍCIAS :: MICROBIOLOGIA |
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Magnetismo orienta locomoção de microrganismos Entre eles, cientistas encontram seres formados pela reunião de células bacterianas |
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Diferentemente da locomoção de aves ou mamíferos, cuja motivação não pode ser descrita em termos meramente físicos, o movimento de certos microrganismos que vivem na água de lagoas depende apenas de fenômenos magnéticos. É o que mostra estudo realizado por Darci Motta Esquivel, do Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas (CBPF), Henrique Lins de Barros, do Museu de Astronomia e Ciências Afins (Mast), Carolina Keim, Marcos Farina e Ulisses Lins, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Em sua pesquisa, os cientistas também encontraram intrigantes seres formados pela reunião de células bacterianas.
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Microrganismo com cristais alinhados em função de campo magnético externo | | | Os pesquisadores estudaram bactérias que vivem em ambientes com pouco oxigênio e apresentam flagelos (filamentos presos à membrana celular que servem à locomoção). Porém, o que as torna mais interessantes é o fato de fabricarem cristais de magnetita (Fe3O4) ou greigita (Fe3S4). Esses cristais têm propriedades magnéticas e, por isso, se alinham ao campo magnético terrestre. Uma vez orientadas por esse campo, as bactérias giram continuamente seus flagelos e, assim, seguem para regiões mais profundas das lagoas, onde as concentrações de oxigênio são menores.
"Coletamos as bactérias magnéticas no estado do Rio de Janeiro: na Baía de Guanabara, na Lagoa Rodrigo Freitas e em lagoas de Itaipu e de Araruama", conta Lins de Barros. Os cientistas verificaram que, em uma mesma amostra microscópica de água desses ecossistemas, podiam ser encontradas algumas bactérias que produziam magnetita e outras que fabricavam greigita. "Esse achado é bastante curioso, pois na natureza não se observa magnetita e greigita no mesmo lugar", comenta. Até hoje, esses dois cristais só foram encontrados juntos em um meteorito vindo de Marte que chegou à Terra há 13 mil anos.
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Microrganismo celular multibacteriano com cerca de 6 micrômetros (10-6) de diâmetro | | | Outros seres que produzem cristais de greigita foram ainda encontrados nas lagoas fluminenses. Eles também orientam seu movimento segundo as interações com o campo magnético da Terra e são formados por dez a vinte células bacterianas. "Ainda não sabemos ao certo se são organismos ou apenas agregados de células", afirma Lins de Barros. "Porém, os seres morrem quando se tenta isolar as células que os constituem e são capazes de se reproduzir." Segundo o pesquisador, esses seres apresentam uma série de outras características[1] típicas de um organismo.
Todas as bactérias de que se tem notícia até hoje são unicelulares e todos os seres multicelulares conhecidos são formados por células mais complexas que as bacterianas. Logo, os seres estudados pelos pesquisadores seriam os primeiros indícios da existência de organismos multicelulares bacterianos. "Estes organismos podem representar a memória de algum caminho evolutivo que apareceu, por exemplo, durante a explosão cambriana, há mais de 500 milhões de anos", afirma Barros. Bactérias magnéticas e microrganismos multicelulares bacterianos também já foram coletados nos Estados Unidos, França, Espanha e Alemanha, onde se realizam estudos independentes sobre eles.
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Fernanda Marques Ciência Hoje On-line 01/07/02 |
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