|
|
|
|
RECEBA NOTÍCIAS
DA CH POR E-MAIL
|
|
|
|
|
|
| | | | | | |
|
|
|
|
| |
| NOTÍCIAS :: MICROBIOLOGIA |
 |
|
|
Helicobacter pylori rumo ao Novo Mundo Bactéria responsável por gastrite e úlcera chegou à América com povos do leste da Ásia |
|
A bactéria ligada ao desenvolvimento de gastrite, úlcera e câncer gástrico está presente em seres humanos há pelo menos 11.000 anos. É o que mostra o estudo de Martin Blaser, pesquisador da New York School of Medicine. Embora já identificada há 20 anos, pouco se sabia sobre o surgimento da Helicobacter pylori na América. A pesquisa de Blaser, publicada em novembro na revista Proceedings of the National Academy of Sciences, revela que a bactéria chegou ao continente americano junto com os primeiros povos que migraram do leste da Ásia.
 |
|
A bactéria H. pylori tem forma de espiral, vive na mucosa do estômago de primatas e está ligada ao desenvolvimento de várias doenças gástricas | | | Estudos recentes sugeriam que os europeus teriam sido os primeiros a trazer a H. pylori à costa da América do Sul. Mas foi um fato histórico que sugeriu a Blaser que, nas Américas, a bactéria seria ainda mais antiga. "Sabemos que os ancestrais dos atuais ameríndios migraram do leste da Ásia há mais de 11.000 anos", disse. Ele acredita que, na América, a H.pylori foi transmitida de geração para geração entre os indígenas.
Blaser e sua equipe já sabiam que a variação de três genes da bactéria -- vacA, babB e HPO638 -- está associada às doenças causadas por ela. Também já se sabia que esses genes servem como marcadores de certas populações humanas. Variações específicas do vacA, por exemplo, só se encontram em certos países do leste da Ásia. Quando humanos vindos dessa região migram para a América, as cepas de H. pylori que carregam contêm as variações de um gene específico do leste da Ásia. Pessoas de ascendência européia não carregam essas variações.
Os pesquisadores analisaram o DNA da H. pylori em amostras retiradas de pacientes de Caracas (Venezuela) -- 103 de ascendência mista de europeus, africanos e ameríndios e 102 representantes de ameríndios aborígenes que viveram em comunidades isoladas na Amazônia. Eles descobriram que, no grupo de ascendência mista, o padrão de variação genética dos três genes da H. pylori estudados segue o de povos do oeste da Europa e, o padrão de variações nos ameríndios coincide de forma significativa com o de povos do leste da Ásia.
Isso mostra que os ameríndios nativos foram colonizados por amostras de H. pylori que carregam marcadores de origem asiática, o que indica que a primeira entrada da bactéria no continente se deu junto com a chegada desses povos à América, há pelo menos 11.000 anos. "Demonstrar isso foi possível porque os autores estudaram populações isoladas que não tiveram contato com outros povos e estudaram genes bacterianos que são conservados, mantendo assim as características de sua origem", explica Dulciene Magalhães Queiroz, pesquisadora da Universidade Federal de Minas Gerais.
O estudo de Blaser abre caminhos para mais pesquisas sobre a bactéria. "Como a Helicobacter se mantém de forma estável no estômago do homem (seu hospedeiro natural), o estudo desses genes permite compreender não só fatos relativos às doenças associadas à infecção, mas também fatos de outras áreas do conhecimento", comenta Dulciene. Dentre eles, a pesquisadora cita migrações de povos remotas, como a provável vinda de asiáticos para as Américas via Estreito de Bering, ou mais modernas, como a colonização da América pelos europeus. |
Elisa Martins Ciência Hoje On-line 02/12/02 |
| |