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Novo crocodilo pré-histórico descoberto em São Paulo
Encontrados onze esqueletos quase completos de espécie que viveu há 90 milhões de anos


Um parente distante dos crocodilos atuais que viveu há cerca de 90 milhões de anos acaba de ser descrito por pesquisadores brasileiros. Onze esqueletos quase completos da espécie primitiva, chamada Baurusuchus salgadoensis, foram encontrados no interior do estado de São Paulo, numa descoberta que já é considerada uma das mais importantes da paleontologia brasileira. A preservação desses fósseis mostra como podem ter sido as catástrofes ecológicas ocorridas na Terra no Cretáceo e ajuda a entender as condições do planeta nesse período.
 
A origem da descoberta remonta ao início dos anos 1990 na cidade de General Salgado (SP), quando um professor do ensino fundamental e médio encontrou os primeiros fósseis da nova espécie com a ajuda de seus alunos. As escavações foram feitas por pesquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro e do Museu de Paleontologia de Monte Alto, em São Paulo. Os cientistas descreveram a nova espécie em um artigo que mereceu destaque de capa na edição de janeiro da revista especializada Gondwana Research.
 
O Baurusuchus salgadoensis viveu no período Cretáceo, há cerca de 90 milhões de anos, quando os continentes ainda estavam reunidos em um grande bloco, chamado Gondwana. Esse crocodilomorfo – como são chamados os parentes distantes dos crocodilos atuais – media cerca de três metros de comprimento e pesava aproximadamente 400 kg. Era carnívoro e suas grandes mandíbulas faziam dele um excelente predador. Suas pernas eram bem mais longas que as dos crocodilos de hoje, já que ele precisava andar muito mais tempo sobre o solo, em comparação com os crocodilos atuais – na época em que o B. salgadoensis viveu, a Terra passava por uma situação climática instável, com grandes períodos de seca e escassez de água.
 
Para se protegerem dos períodos de aridez, em que as chuvas custavam a aparecer, essas espécies faziam buracos e se enterravam, à procura de umidade. Quando finalmente chovia, o fluxo de água era forte e arrastava sedimentos por onde passava, causando assim grandes catástrofes ecológicas. Foi nessa situação que muitos animais foram soterrados, formando os jazigos fossilíferos, preservados nas rochas.
 
Antes da descoberta do Baurusuchus, espécies semelhantes só haviam sido encontradas no Paquistão, na Ásia. Segundo os pesquisadores, isso pode sugerir que houve um possível movimento migratório desses animais entre os continentes. 
 
Essa revelação marca uma nova e importante fase para os estudos paleontológicos no país. “Definir espécies do Brasil é dar identidade para a história geológica de vida no território nacional”, diz o pesquisador da UFRJ Ismar de Souza Carvalho, integrante da equipe que descobriu os fósseis.
 
Cathia Abreu
Especial para a CH On-line
10/06/05

Confira representações artísticas do réptil primitivo feitas pelo artista Deverson da Silva (Pepi). Clique nas imagens para ampliá-las.

O Baurusuchus salgadoensis era um carnívoro dotado de grandes mandíbulas, que faziam dele um grande predador.

Os crocodilomorfos descobertos no interior de São Paulo são os mais antigos animais do gênero já encontrados no Brasil.

B. salgadoensis tinha pernas mais longas do que as dos crocodilos atuais, pois andava mais tempo sobre o solo. Ele tinha 3 m de comprimento e pesava 400 kg

Crânio de um espécime de B. salgadoensis. No total, foram encontrados onze esqueletos quase completos de animais dessa espécie. 

 

 
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