O Pantanal é um bioma habitado por inúmeras espécies e apresenta uma vegetação fascinante, que mescla cores e formas num belíssimo espetáculo. Para aqueles que não tiveram a oportunidade de conferir essa paisagem in loco, é possível ter uma idéia da riqueza dessa biodiversidade em Pantanal: luz, cores e formas, o mais recente trabalho do biólogo e fotógrafo Ronaldo Ronan Rufino.
O livro é um documentário fotográfico que reúne 96 imagens coletadas pelo autor durante 50 dias ao longo de dois anos, selecionadas a partir de mais de 10 mil fotos. O acervo inclui desde imagens muito detalhadas – que podem revelar, por exemplo, a textura das penas e o olhar penetrante do tucanuçu (Ramphastos toco) – até cenários bem mais amplos, que mostram estradas, rios e pastagens.
O fotógrafo, que atualmente reside em Londrina (PR), selecionou fotos tiradas no trecho da estrada que liga Miranda a Corumbá (MS), onde existe uma grande diversidade de fauna e flora. O critério de escolha do produto final foi bem simples: ”Eu não queria um material semelhante ao que se encontra hoje nas prateleiras”, conta o autor. “Queira expressar as cores, formas e movimentos que os ecossistemas do Pantanal proporcionam.”
Quase não há textos no livro. No início, uma breve introdução apresenta as principais características do Pantanal: considerado reserva de biosfera pela Unesco desde o ano 2000, esse bioma já tem identificadas 95 espécies de mamíferos, 665 de aves, 162 de répteis, 40 tipos de anfíbios e mais de duas mil espécies de plantas. Ao final, um texto do fotógrafo traz detalhes técnicos sobre o equipamento utilizado e conta experiências pessoais que ajudam a entender o trabalho realizado.
Segundo Rufino, a obra é tributária tanto do conhecimento adquirido durante o curso de biologia quanto da sua sensibilidade artística. “Conhecendo o comportamento do animal, muitas vezes você consegue situações interessantes”, destaca. Ele observou os hábitos das espécies e, entre outras coisas, percebeu que devia buscar sempre a melhor posição em relação ao vento para que não fosse descoberto pelo olfato aguçado de animais como o porco-do-mato. Tudo em prol do melhor flagrante.
Rufino não se deixou abater pelas adversidades. “O trabalho no campo não é fácil. O calor, o cansaço, os insetos e outros perigos não aparecem nas fotos, mas são constantes no dia-a-dia”, diz ele. Entretanto, essas dificuldades renderam-lhe boas histórias. Entre os episódios marcantes, destacam-se um ataque de sanguessugas ao entrar numa baía salina para fotografar pernilongos e um temporal às 2 horas da manhã que desmontou a barraca de camping à beira do rio Abobral. Em outra ocasião, o motor quebrado de um barco obrigou-o a remar por nove horas na companhia de um professor – “só fomos resgatados na manhã do dia seguinte pelo Louro, um pantaneiro que se tornou meu braço direito durante a jornada”.
Nas últimas décadas, a ação humana tem representado uma séria ameaça ao Pantanal, que é a maior bacia alagável do mundo. A expansão da fronteira agrícola e a crescente produção de energia hidrelétrica comprometem seu equilíbrio ecológico em grande escala. A preservação é fundamental para que gerações futuras conheçam esse magnífico espetáculo – e para que
Pantanal: luz, cores e formas não seja apenas o registro de um passado exuberante.