Análises e reflexões sobre a divulgação científica, seus impactos e dilemas são o tema de duas coletâneas de ensaios a serem lançadas em 13 de abril, durante o 4o Congresso Mundial de Centros de Ciência, que acontece no Rio de Janeiro até o dia 14. Os livros são os dois novos volumes da série "Terra Incógnita", que pretende mapear um território pouco conhecido: a interface que permeia as relações entre a ciência – sua produção, seu funcionamento e suas aplicações – e o público. O lançamento é uma iniciativa da Casa da Ciência/UFRJ, do Museu da Vida/Fiocruz e da Editora Vieira & Lent.
O pequeno cientista amador, organizado por Luisa Massarani, jornalista especializada em ciência, traz oito artigos escritos por autores de Brasil, México e Chile. Os ensaios discutem desafios e estratégias para inserir a ciência no mundo infantil, explorando a curiosidade das crianças para saber como as coisas funcionam e como é o mundo a sua volta. Um dos artigos, escrito por Guaracira Gouvêa, aborda a experiência da revista
Ciência Hoje das Crianças e as práticas de leitura do público infantil.
Para Massarani, os divulgadores de ciência não têm trabalhado adequadamente essa capacidade. “Em geral, o conteúdo científico transmitido para crianças é de qualidade baixa e apresentado de forma inadequada. Não estimula a curiosidade nem a interatividade, de forma que as crianças possam participar do processo de aprendizado pela observação, pela experimentação, pelo questionamento permanente e colocando a mão na massa”, avalia a jornalista.
Ela aponta como exemplo os erros conceituais graves existentes em livros didáticos, uma das principais fontes de informações científicas, e a forma como eles apresentam a ciência, como algo desvinculado da vida cotidiana. A TV e as histórias em quadrinhos também não escapam dos deslizes. “Geralmente, a imagem transmitida é do cientista louco, descuidado, de jaleco, de sexo masculino e cujo trabalho é inventar ‘coisas’ totalmente desarticuladas da realidade”, avalia a jornalista.

O segundo livro a ser lançado –
Terra Incógnita – procura explorar melhor o território pouco conhecido da interface entre ciência e público, tema que ganhou atenção especial nos últimos anos. Organizado por Ildeu de Castro Moreira, Jon Turney e Luisa Massarani, o volume reúne 13 artigos escritos por alguns dos principais autores no campo da comunicação científica, vindos dos Estados Unidos, Canadá e Europa. Entre eles, estão nomes como Brian Wynne, Jeanne Fahnestock e Jean-Marc Lévy-Leblond.
Alguns ensaios abordam a questões conceituais sobre a cultura científica ou aos distintos contextos nos quais o conhecimento científico está inserido. Outros analisam as relações entre atores importantes na divulgação científica (como cientistas e jornalistas) e o tratamento que a mídia confere às incertezas e riscos da ciência.
O artigo que abre a série de reflexões é de John Durant, que dirige atualmente o museu do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), além de editar a revista Public Understanding of Science. Durant analisa o que há por trás de expressões como “a compreensão pública da ciência”, na Inglaterra, “cultura científica”, na França, e “alfabetização científica“, nos EUA.
Os dois livros são, respectivamente, o terceiro e o quarto volume da série “Terra Incógnita”. Ambos serão lançados no dia 13 de abril, entre 16h30 e 18h30, no Riocentro, onde se realiza o 4º Congresso Mundial de Centros de Ciência.