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Aves brasileiras ganham guia ilustrado 
Livro descreve espécies silvestres e dá dicas sobree como observá-las

Como diferenciar um inhambu-chororó de uma pomba-galega? E uma corujinha-do-mato de uma buraqueira ou um sabiá-do-campo de um chupa-dente? Para ajudar os amantes das aves a reconhecer essas e outras espécies brasileiras, o Grupo Ecológico Vida Verde de Cornélio Procópio, uma organização não-governamental (ONG) do Paraná, lançou o livro Conhecendo aves silvestres brasileiras, um guia fotográfico que apresenta e descreve 68 espécies.

Com ele, os interessados por pássaros que buscam informações  vão aprender, por exemplo, a distinguir corujas da mesma família – apesar das cores e portes semelhantes. Enquanto a corujinha-do-mato conserva o tradicional hábito noturno da espécie e só inicia a cantoria depois do pôr-do-sol, a buraqueira é de atividade diurna; a primeira constrói seus ninhos em ocos de árvores e a outra no chão, ao fim de um túnel que ela mesma cava.

Outra confusão desfeita pela obra é entre o chupa-dente e o sabiá-do-campo. Se o tamanho diminuto e a cor dourada das penas tornam-os parecidos, seus cantos podem ser um bom diferenciador: o chupa-dente recebeu este apelido por emitir um som que lembra o produzido por uma pessoa que "chupa o dente". O sabiá-do-campo, por sua vez, imita o grito de gaviões – o que os torna bem distintos.

A linguagem simples e o tom didático escolhidos pelos autores –os biólogos Bianca Reinert, Marcos Bornschein e Ricardo Belmonte-Lopes – facilitam a compreensão do público leigo, que recebe, além das informações sobre as espécies, dicas sobre como observá-las. Eles ressaltam a paciência e a dedicação como instrumentos fundamentais à atividade e sugerem uma lista de materiais necessários à observação. Por fim, o relato de como os procedimentos devem ser realizados indicam o caminho que os apaixonados por aves devem seguir para identificá-las.

Além de fotos coloridas, a ficha de cada espécie traz seu nome científico, popular e vernacular em inglês, tamanho, peso e informações gerais sobre comportamento, alimentação, reprodução e distribuição geográfica. Assim, o leitor é apresentado, entre outras espécies, à interessante maria-faceira, uma garça diferente que recebeu este nome por parecer estar maquiada para uma festa. Ela se destaca também por seu assobio melodioso e alto, que pode ser ouvido a quilômetros de distância.

Mais uma curiosidade descoberta pela leitura da obra é a origem do nome de metade da dupla sertaneja Chitãozinho e Xororó: o apelido de um dos irmãos é inspirado em um pássaro considerado um ótimo cantor – o inhambu-chororó. Difícil de ser visto, pode ser reconhecido com facilidade por seu canto – uma seqüência de notas agudas, gradualmente aceleradas.

Com formato de bolso (15 x 10,5 cm) e 166 páginas, Conhecendo aves silvestres brasileiras pode ser levado a campo e consultado durante a observação. O leitor interessado em adquiri-lo deve entrar em contato com o Grupo Ecológico Vida Verde pelo telefone (43) 562-1495 (falar com Margit ou Rüdiger) ou pelo e-mail rudiger.b@gmx.net
 

Bel Levy
Ciência Hoje On-line
14/02/05

Conhecendo aves silvestres brasileiras
Bianca Luiza Reinert, Marcos Ricardo Bornschein e Ricardo Belmonte-Lopes
Cornélio Procópio, “Grupo Ecológico Vida Verde”, 2004
166 pgs ‐ R$ 20,00 + 6,00 de frete 

Confira fotos de algumas das aves silvestres brasileiras descritas no livro. Clique nas fotos para ampliá-las.

Para distinguir a corujinha-do-mato (esq.) da buraqueira (dir.), observe seu comportamento: a primeira é noturna; a segunda, diruna. Fotos: Edson Endrigo (esq.) e Zig Koch.

 

O canto é a melhor forma de distinguir o chupa-dente (esq.) do sabiá-do-campo (dir.). Fotos: Zig Koch / Grupo Vida Verde (esq.) e Marcos R. Bornschein (dir.)

 

O assobio alto e melodioso e a cara pintada, como se estivesse maquiada, fazem da maria-faceira uma garça especial.Foto: Zig Koch

 

A cantoria complexa e peculiar do inhambu-chororó inspirou o apelido do irmão de Chitãozinho. Foto: Zig Koch

 

O chopim abandona seus ovos em ninhos de outras aves, para que elas os choquem e criem os filhotes. Foto: Edson Endrigo

 

 
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