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Cientistas avaliam ameaça ao Pólo Norte Expedição internacional tenta antecipar impacto do derretimento das camadas polares no Ártico
Extinção de espécies raras de ursos polares, focas e cavalos-marinhos, mudanças drásticas no cotidiano de povos esquimós, danos irreparáveis ao ambiente ártico. Quando o assunto é o aquecimento global e o conseqüente derretimento das camadas de gelo do Pólo Norte, são repercussões trágicas como essas que se pode esperar. Diante dessa ameaça, uma equipe internacional de cientistas tem se empenhado em pesquisas que possam amenizar os efeitos nocivos e até permitir o aproveitamento de possíveis conseqüências positivas da alteração climática.
A Cases (sigla para Canadian Arctic Shelf Exchange Study) é uma rede de pesquisa formada por cientistas de mais de dez países entre eles Canadá, Estados Unidos, Japão, Espanha e Noruega que tem o objetivo de identificar e antecipar os variados efeitos do aquecimento global sobre o Pólo Norte. Para isso, os pesquisadores permaneceram em 2004 seis meses a bordo do navio-laboratório Amundsen, no mar de Beaufort, onde puderam observar de perto o fenômeno e realizar uma série de experimentos científicos sob as hostis condições do Ártico.
Enquanto isso, outra equipe sobrevoou a região, observou a espessura e a composição das camadas de gelo e analisou como elas são modificadas pelas quedas de temperatura. Assim, os pesquisadores puderam comparar diferentes áreas da região e entender como essas alterações influenciam a fauna local. Durante o verão, em 13 horas de sobrevôo por dia, foi possível observar, por exemplo, o movimento dos ursos polares, cujo hábitat natural está cada vez mais limitado em função do aquecimento global. Eles podem se deslocar por centenas de quilômetros e não voltar jamais ao local original, já derretido.
Impedir o derretimento de camadas de gelo do Pólo Norte é uma tarefa impossível, mas nossas pesquisas poderão antecipar seus impactos sobre o ambiente ártico e as sociedades que o exploram e ajudar a amenizá-los, explica em entrevista à CH On-line o oceanógrafo e líder do projeto Louis Fortier, da Universidade Laval, Canadá.
Para ele, apesar das inúmeras e inevitáveis conseqüências negativas, o fenômeno pode trazer também inesperadas oportunidades de desenvolvimento. A abertura de novos canais de navegação, como a passagem noroeste através das ilhas árticas do Canadá, é uma delas. Esta rota pode representar uma alternativa mais atraente que o Canal do Panamá, despertar o interesse de potências marítimas do Hemisfério Norte e trazer novos investimentos para a região.
O que mais chama a atenção dos pesquisadores, no entanto, são os perigos que ameaçam o ecossistema da região. O aquecimento das águas do Ártico pode levar à substituição de sua fauna única por espécies dos oceanos Atlântico e Pacífico e o Pólo Norte corre o risco de se transformar, gradualmente, num ambiente temperado. Já se observa atualmente a colonização das águas árticas e subárticas por espécies temperadas como o salmão, o que representa um alerta para o que pode ocorrer no futuro.
Em 2005, o Amundsen irá viajar por diferentes trechos do oceano Ártico para aprofundar os estudos sobre os distúrbios causados no ecossistema do Pólo Norte pelo aquecimento global, cada vez mais intenso. Outra equipe, em terra, compilará os dados das pesquisas já concluídas a fim de facilitar a adaptação das comunidades nórdicas à nova realidade ambiental da região. Dessa forma, os pesquisadores da Cases acreditam que será possível suavizar os efeitos do fenômeno e formular novas políticas de desenvolvimento para a região.
Bel Levy Ciência Hoje On-line 14/02/05
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Confira fotos da expedição internacional para avaliar o impacto do aquecimento global no Pólo Norte. Clique nas fotos para ampliá-las. |
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O navio-laboratório Amundsen em sua primeira viagem pelo Pólo Norte (reprodução / IAPP) |
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Pôr do sol no Ártico: paisagem ameaçada pelo aquecimento do planeta (reprodução / Cases) |
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O urso polar é uma das espécies típicas do Pólo Norte que corre o risco de entrar em extinção (reprodução / Cases) |
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Pesquisadores de mais de dez países trabalharam sob as hostis condições do Ártico para antecipar os impactos do aquecimento global (reprodução / Cases) |
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Com o derretimento das camadas de gelo, o nível do mar pode subir até cinco metros no verão no Pólo Norte (foto: Martin Fortier / NOW) | |