Arqueologia e paleontologia

No meio do caminho havia um dinossauro 
Réptil que habitou o Brasil há 225 milhões de anos é encontrado por acaso
 
Um senhor caminhava tranqüilamente em uma estrada do distrito de Água Negra, no Rio Grande do Sul, quando, de repente, viu algo muito estranho no caminho. Parou, olhou de perto e achou que eram ossos da mão de um animal saindo de uma pedra. Para ajudar a desvendar o mistério, ele chamou os pesquisadores da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). Adivinha de quem era mão? De um dinossauro que habitou a região Sul do nosso país há cerca de 225 milhões de anos!

O animal foi chamado de Unaysaurus tolentinoi. Por quê? Bem, ’unay’ quer dizer Água Negra, em tupi guarani; ’saurus’ significa lagarto, em grego; e ’tolentinoi’ é uma homenagem ao senhor Tolentino, que foi quem o encontrou no meio do caminho!

Quer saber como era esse dinossauro? Ele media 2,5 metros de comprimento, tinha 70 centímetros de altura e pesava cerca de 70 quilos. Era herbívoro, isto é, alimentava-se de plantas e andava sobre duas patas. O Unaysaurus tinha um pescoço comprido, uma cabeça pequena e garras nas patas, que ele usava, provavelmente, para se alimentar e se defender dos predadores.

Mas como os pesquisadores descobriram tudo isso? Pela análise dos fósseis. Os dentes tinham um formato típico de dinossauros que comem plantas. Os ossos dos braços eram menores que os das pernas, o que indica que ele andava sobre as patas traseiras. O formato dos ossos também permitiu descobrir como eram os músculos desse antigo réptil.

Os pesquisadores da UFSM e do Museu Nacional da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), responsáveis pelo estudo, acreditam que esse dinossauro seja uma espécie de bisavô daqueles enormes dinossauros pescoçudos que surgiram depois. “O Unaysaurus é um dos dinossauros mais antigos do mundo”, conta o paleontólogo Luciano Leal, um dos coordenadores da pesquisa. Aliás, o Sul do Brasil e o norte da Argentina formam uma região considerada berçário dos primeiros dinossauros do planeta.

Ao analisar os fósseis do Unaysaurus, descobriu-se que ele é mais parecido com uma espécie que viveu na Europa, o Plateosaurus, do que com outras espécies do mesmo grupo (Prosauropoda) que habitaram a América do Sul. Ora, como isso é possível? Naquela época, todas as porções de terra estavam juntas e formando um único supercontinente chamado Pangea. Então, o que não faltava era espaço para os dinossauros passarem daqui pra lá e de lá pra cá! Segundo os pesquisadores, esse é um dos primeiros grupos de dinossauros a se espalhar por tantos lugares.

O estudo dos dinossauros permite que se descubram mais informações sobre plantas e outros animais que existiam no planeta há muitos milhões de anos. Até agora, esse é o 11º dinossauro encontrado no Brasil. Mas os cientistas acreditam que ainda é possível descobrir muito mais. Portanto, a partir de agora, fique mais atento por onde você anda... Quem sabe você esbarra em fósseis de dinossauros no caminho? 

A réplica do Unaysaurus tolentinoi e os fósseis encontrados
estão expostos no Museu Nacional. Faça uma visita!
Endereço: Quinta da Boa Vista s/n ‐
São Cristóvão ‐ Rio de Janeiro, RJ
Horário: de terça a domingo, das 10h às 16h.
Entrada: R$ 3,00. Crianças até 10 anos, alunos de escolas
públicas e maiores de 65 anos não pagam.
O Museu oferece visitas guiadas para escolas públicas.
Para agendar, ligue: (21) 2568-8262 ramal 210.


Eliana Pegorim
Ciência Hoje On-line
20/12/04

Clique nas imagens para ampliá-las

 

Escultura do novo dinossauro feita por Orlando Grillo. O réptil tinha cerca de 2,5 m de comprimento, cabeça pequena e corpo volumoso

 

Imagem artística do Unaysaurus por Maurilio Oliveira. Os ossos dos braços indicam que ele era bípede

 

Ossos do Unaysaurus encontrados no Rio Grande do Sul.

 

Luciano Leal, pesquisador da UFRJ que descreveu o novo dinossauro, ao lado dos ossos e da escultura do Unaysaurus.

 

Os dentes do Unaysaurus indicam que ele era um réptil herbívoro.

 

A região onde o Unaysaurus foi encontrado, entre as cidades de São Martinho da Serra e Santa Maria, no Rio Grande do Sul.

 
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