|
Mostra celebra a ilustração botânica de Margaret Mee Exposição em SP apresenta telas da inglesa que amadureceu seu traçado após se radicar no Brasil
Arte a serviço da ciência ou ciência a serviço da arte. Tanto uma como outra afirmação explicam o trabalho da pintora inglesa Margaret Mee. A artista, referência mundial em ilustração botânica, ganhou reconhecimento ao transformar a mata atlântica brasileira e a flora amazônica em pintura, unindo rigor científico e qualidade artística. Agora, 49 obras inéditas da artista estão expostas na mostra “Do esboço à natureza”, em cartaz no Museu de Zoologia da Universidade de São Paulo (MZ/USP) até 27 de fevereiro.
A exposição apresenta trabalhos da artista que vão do desenho de grafite no papel até aquarelas. "Assim, é possível acompanhar o desenvolvimento do traço de Mee e todo o seu processo de criação", explica o biólogo Carlos Roberto Brandão, pesquisador do MZ e curador da exposição.
Apesar de a mostra estar sediada em um museu de zoologia, Brandão explica que ela se enquadra na proposta da instituição de estabelecer um diálogo entre as diferentes áreas do saber. O curador ressalta que a ilustração permite descrever uma espécie melhor do que com palavras ou fotografias. "A obra de Mee retrata na mesma tela um broto fechado, um se abrindo e outro aberto", exemplifica. "Essa diferença no ciclo da flor só pode estar junta num desenho."
Margaret Mee contribuiu para que muitas espécies da floresta amazônica e da mata atlântica fossem conhecidas e apreciadas. Nos seus quadros fica clara a busca da artista pelas nuances de cada espécie ‐ com a preocupação de fazer um retrato o mais fiel possível da natureza
Entre os destaques da exposição está uma aquarela que une orquídeas e bromélias, as espécies preferidas pela inglesa, numa tela com quase 1,5 metro de largura ‐ a maior da mostra. A obra é um belo exemplo do trabalho de Margaret Mee, com valorização dos detalhes e uma descrição minuciosa e sóbria.
Margaret Mee (1909-1988)
Margaret Mee nasceu em Chesham, na Inglaterra, e a partir de 1947 passou a se dedicar à arte. Cinco anos depois, se mudou para São Paulo e a rica mata atlântica, principalmente as bromélias, tiveram papel muito importante no amadurecimento da pintura de Mee.
Em 1956, a inglesa conheceu a Amazônia e ficou encantada com a beleza da floresta. Nas 15 viagens que fez à região, Mee desenhou muitas espécies, algumas ainda desconhecidas.
No último ano de sua vida, Mee foi à floresta amazônica em busca de um raro cacto, o Selenicereus wittii ‐ conhecido como ’flor da Lua’ pelas flores brancas que desabrocham apenas à noite. Ao encontrar o cacto, a pintora ficou a noite inteira esperando a flor abrir e esse momento rendeu um poema, o qual Mee termina assim: "Então, a primeira pétala começou a se mexer, depois outra e mais outra, e a flor explodiu para a vida."
Pedro Gomes Ribeiro Ciência Hoje On-line 20/12/04
|
Exposição Margaret Mee: Do Esboço à Natureza De terça a domingo, das 10h às 17h - até 27 de fevereiro de 2005 Ingresso: R$ 2,00. Grátis para escolas públicas, menores de 6 anos e acima de 60 (estudantes pagam meia-entrada). Galeria de Exposições Temporárias - Museu de Zoologia da USP Av. Nazaré, 481 Ipiranga São Paulo/SP tel (11) 6165 8100 www.mz.usp.br Visitas escolares: (11) 6165-8140 | |
|
|
Confira algumas das obras expostas. Clique nas imagens para ampliá-las (imagens: Wagner Souza e Silva - acervo Bradesco) |
|
|
|
A aquarela acima representa várias espécies de orquídeas e bromélias. Por ter a assinatura de Mee, é considerada uma obra finalizada. |
|
|
|
A obra representa diferentes estágios da floração da cebola-grande-da-mata -Clusia grandiflora |
|
|
|
Esboço da orquídea Sobralia yauaperyensis. Espécies desse gênero ocorrem no Brasil, Peru, Equador, Guiana e Venezuela |
|
|
|
Esboço da orquídea Laelia purpurata, a flor-símbolo do estado de Santa Catarina. |
|
|
|
Margaret Mee fotografada em ação numa mata brasileira (foto: Claus Meyer - Fundação Botânica Margaret Mee) | |