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 NOTÍCIAS :: METEOROLOGIA

El Niño na era glacial
Descobertas evidências do fenômeno climático durante o Plistosceno

O El Niño, fenômeno atmosférico que afeta ciclicamente o clima da Terra, pode existir há mais tempo do que se acreditava. Geólogos americanos identificaram evidências dos efeitos do fenômeno no clima do nordeste dos Estados Unidos entre 17.500 e 13.500 anos atrás, durante o final da época Plistocênica. A constatação, relatada na revista Science, foi feita por acaso, quando os cientistas tentavam descobrir como o lago glacial Hitchcock, na Nova Inglaterra (EUA), se extinguiu ao fim da era glacial.

Anomalias na temperatura das águas superficiais do Oceano Pacífico causadas pelo fenômeno El Niño (em graus celsius)


Essas são as primeiras evidências da ocorrência do El Niño durante um período glacial. "Nós não esperávamos por isso", disse à Newswise a geóloga Tammy Rittenour, que coordenou o projeto. "Uma recente descoberta arqueológica na América do Sul sugeria que El Niños ocorrem apenas em eras quentes."

O El Niño é definido pelos geólogos como uma ruptura no sistema atmosférico do oceano Pacífico tropical que tem conseqüências importantes para o clima de todo o globo. Um enfraquecimento dos ventos alísios permite que frentes quentes pouco comuns avancem do oeste do Pacífico em direção ao leste, até a costa ocidental da América do Sul. Essa área excepcionalmente grande de águas oceânicas superficiais quentes ocorre ciclicamente, causando sérias mudanças no clima terrestre.

Os indícios dos efeitos do El Niño durante o Plistosceno foram identificados pela equipe de Rittenour quando eles datavam as camadas anuais de depósitos sedimentares de cascalho, areia e argila junto às margens do extinto lago Hitchcock. A geóloga notou variações na espessura dessas camadas. Ela procurou um padrão para essa variação e alguma relação com a evolução do clima. A análise estatística revelou que a periodicidade na mudança das espessuras correspondia à freqüência com que o El Niño acontece hoje.

"Sabemos muito pouco sobre o El Niño e a maneira como ele opera em diferentes condições climáticas", disse a geóloga. "Precisamos estudá-lo durante um longo período da história geológica, através de várias mudanças climáticas. Se soubermos como ele se comportou no passado, poderemos prever seu comportamento no futuro."

A descoberta sugere que El Niños são aspectos contínuos do sistema climático. Novas evidências a serem publicadas mostram que ele existia já há 120.000 anos, durante o último período interglacial. "Não devemos esperar que ele desapareça", conclui Rittenour.

Pedro Lent
Ciência Hoje/RJ
adaptado de Newswise,
12/05/2000

 

 
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