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 NOTÍCIAS :: METEOROLOGIA

Nuvens marítimas sobre a Amazônia 
Fenômeno pode tornar mais precisas as previsões do tempo na região

A Amazônia e o mar têm algo em comum: acima da maior floresta equatorial do planeta, pairam nuvens semelhantes às que existem sobre os oceanos. O fenômeno foi constatado durante a estação chuvosa da região, que vai de outubro a abril. Essa descoberta inédita é resultado de uma pesquisa coordenada pela cientista Maria Assunção Dias, da Universidade de São Paulo (USP). O estudo foi apresentado durante a I Conferência Científica do Experimento de Grande Escala da Biosfera-Atmosfera na Amazônia, que aconteceu em Belém até 28 de junho.

Região amazônica é a única a apresentar nuvens continentais e marítimas

A formação de nuvens continentais ou marítimas é determinada pela quantidade de partículas sólidas (cloretos ou sulfatos) na atmosfera. Essas partículas, chamadas núcleos de condensação, atraem o vapor d’água e formam as gotas. Sobre os continentes, a quantidade de partículas no ar é maior, e formam-se gotas pequenas. Isso retarda a precipitação das nuvens continentais, que ocorre apenas quando elas crescem e atingem altitudes de 14 a 15 km. Sobre os oceanos, a atmosfera é mais limpa, e há poucos núcleos de condensação. Por isso, as gotas das nuvens marítimas são maiores e mais pesadas. Essas nuvens se situam de 5 a 6 km de altitude, e a chuva cai assim que elas são formadas.

A ocorrência simultânea de nuvens continentais e marítimas não foi constatada em nenhuma outra região equatorial do mundo. Na Amazônia, o fenômeno se deve às várias pancadas de chuva que limpam a atmosfera durante a estação chuvosa. As chuvas diminuem a quantidade de partículas sólidas no ar e causam a formação de nuvens marítimas. No entanto, as queimadas realizadas na região podem inibir a formação dessas nuvens. "O despejo de grande quantidade de partículas no ar compromete a formação de nuvens após a seca e atrasa a chegada da estação chuvosa", alerta Maria Assunção Dias.

A descoberta das nuvens marítimas amazônicas modificará a previsão do tempo na região, pois a análise do clima é feita por computadores a partir da descrição dos tipos de nuvens locais. De posse dos novos dados, será possível prever com mais precisão a intensidade das chuvas na Amazônia, e determinar se haverá pancadas intensas com ventos fortes, típicas de nuvens continentais, ou precipitações mais brandas, características das nuvens marítimas.

Mara Figueira
Ciência Hoje/RJ
28/06/00

 

 
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