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 NOTÍCIAS :: METEOROLOGIA

Raios cósmicos afetam formação de nuvens
Fluxo de partículas pode estar ligado a mudanças no clima global

Os raios cósmicos galácticos desempenham um papel importante no controle da camada de nuvens que cobre a Terra, segundo aponta um estudo coordenado pelo cientista Nigel D. Marsh, do Instituto Dinamarquês de Pesquisa Espacial. Os raios cósmicos são uma fonte primária da ionização da atmosfera, envolvida no processo de formação de nuvens. A equipe de Marsh constatou que esses raios afetam sobretudo as propriedades de nuvens baixas, situadas a até três quilômetros do solo. Os resultados foram publicados na edição de 4 de dezembro da revista Physical Review Letters.

O primeiro mapa mostra a correlação entre a cobertura de nuvens e raios cósmicos; o segundo, entre estes e a temperatura do topo das nuvens. A correlação é alta nas regiões em vermelho e decresce conforme a escala

Raios cósmicos galácticos são partículas altamente energéticas que entram continuamente na atmosfera superior terrestre em grande velocidade. Emitidos por fontes como explosões de supernovas ocorridas em nossa galáxia, esses raios consistem em núcleos de átomos (principalmente prótons) dos principais elementos que compõem o universo.

As características da camada de nuvens que cobre a Terra influenciam tanto a reflexão da radiação solar quanto a retenção do calor na atmosfera. A associação entre raios cósmicos e nuvens baixas sugere uma ligação entre as mudanças no clima global e o fluxo de raios cósmicos.

Os pesquisadores dinamarqueses constataram também que os fortes ventos solares (fluxo de partículas eletricamente carregadas emitidas continuamente pelo Sol) produzidos em períodos de intensa atividade solar protegem a atmosfera terrestre dos raios cósmicos formadores de nuvens, modulando potencialmente o clima global. "Parte dos raios cósmicos que ionizariam as nuvens interage com os íons dos ventos solares antes de chegar até elas", explica o astrônomo Walter Maciel, da Universidade de São Paulo.

Com isso, o estudo revela uma conexão entre variações da atividade solar e mudanças climáticas. Flutuações na radiação emitida pelo Sol eram geralmente descartadas como pouco expressivas para influenciar diretamente o aquecimento global e outras mudanças no clima.

Na mesma área, um outro estudo desenvolvido por cientistas da Universidade de Leeds (Inglaterra) apontou uma conexão direta e rápida entre a química da atmosfera e a luz ultravioleta emitida pelo Sol. Durante 97% de um eclipse observado no Reino Unido, a equipe de Dwayne E. Heard observou que as concentrações locais de ozônio caíram para 60% das taxas verificadas normalmente durante o dia. Logo após o evento, elas retornaram ao nível normal. Os pesquisadores demonstraram uma conexão dinâmica entre a luz do Sol e a fotoquímica dos gases atmosféricos que pode contribuir para o aquecimento global, a formação de nevoeiros e chuva ácida. Os resultados foram publicados na edição de 1o de novembro de Geophysical Research Letters.

Bernardo Esteves
Ciência Hoje/RJ
22/11/2000

 

 
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