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 NOTÍCIAS :: METEOROLOGIA

Influência dos oceanos sobre o inverno paulistano
Estudo associa variações de temperaturas nos mares e na cidade de São Paulo

As variações de temperatura nos oceanos Pacífico e Atlântico estão diretamente relacionadas com o clima paulistano, sobretudo nos meses do complexo inverno da capital. Essas são as conclusões do mestrado em Meteorologia desenvolvido pela física Andrea Cardoso no Instituto Astronômico e Geofísico da Universidade de São Paulo (IAG-USP). "O trabalho será implementado na rotina de previsão climática do laboratório de Meteorologia Aplicada a Sistemas de Tempo Regionais (Master) da própria USP", diz a pesquisadora.

Variações de temperatura nas áreas em azul e vermelho no Atlântico apresentam relações significavas com a temperatura do ar na cidade de São Paulo em julho

Andrea realizou observações baseadas em métodos estatísticos que utilizaram as temperaturas da superfície do mar nos oceanos e do ar na cidade de São Paulo no período entre 1950 e 1996. Com esses dados, a cientista pôde estabelecer uma relação entre os processos físicos que acontecem no mar (como vento, pressão, calor e frio) e a variação de temperatura e umidade da capital paulista. Em algumas partes dos oceanos, quando a temperatura se eleva, o mesmo acontece em São Paulo; em outras regiões dos mares, ocorre o processo inverso. Andrea iniciou sua pesquisa, que durou dois anos, em 1999.

A pesquisadora considera importante ressaltar que seu estudo é climatológico e que não pode ser usado para previsão do tempo, e sim do clima. "Define-se tempo como estado da atmosfera em determinado instante e lugar", esclarece. "Já clima é o 'tempo médio', isto é, o conjunto de toda informação estatística sobre o tempo em determinado local."

O inverno da cidade de São Paulo é classificado como complexo por Andrea. "Essa estação é basicamente seca, ou seja, chove pouco e, muitas vezes, há a necessidade de racionamento de água e energia." No entanto, o que mais preocupa no inverno é o fenômeno de inversão térmica, que impede o movimento vertical do ar e, conseqüentemente, a dispersão da poluição atmosférica. "Além disso, no inverno, domina o vento norte ou noroeste, que pode transportar poluentes produzidos por queimadas de biomassa no interior do Brasil, o que aumenta o índice de poluição", completa a pesquisadora.

Os resultados obtidos por Andrea poderão servir como indicadores da variação da temperatura na cidade de São Paulo com até três meses de antecedência. No entanto, uma previsão climática mais completa dependeria ainda de outros parâmetros. No Brasil, utilizam-se em geral metodologias européias e norte-americanas para estudos meteorológicos, que não levam em conta características geográficas próprias do Brasil, como a vegetação. "Felizmente, esse quadro se alterou nos últimos dez anos, e a tendência é que outros trabalhos como esse apareçam."

Pablo Pires Ferreira
Ciência Hoje/RJ
30/03/01

 

 
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