SOMENTE NO ACERVO
DA REVISTA CH
 
   
   
   
   
   
   
   
 

 

 NOTÍCIAS :: METEOROLOGIA

As correntes do Atlântico equatorial
Medições permitem descrever pela primeira vez estrutura de águas profundas

As correntes marinhas têm participação fundamental no clima do planeta: elas redistribuem o calor dos trópicos por latitudes médias e altas e garantem um maior equilíbrio de temperaturas. A falta de conhecimento sobre seu comportamento, no entanto, sempre dificultou a compreensão das mudanças climáticas e é uma das principais causas da imprecisão de previsões meteorológicas. Recentemente, o programa Equalant, do Instituto de Pesquisas para o Desenvolvimento (IRD, na sigla em francês), descreveu pela primeira vez a estrutura de correntes profundas ao longo da linha do Equador, da costa brasileira ao golfo da Guiné, na África.

Instalação de equipamentos para a medição de parâmetros que permitem determinar a estrutura de correntes profundas (fotos: Jacques Servain e Chantal Andrié - IRD)

As correntes na costa brasileira alimentam a corrente de água quente dita do Golfo (Gulf Stream), que segue do México para a Europa pelo oceano Atlântico. "Durante o inverno no hemisfério norte, essas águas se tornam mais frias e salgadas, portanto mais pesadas, e 'mergulham' em profundidade", disse à CH on-line o pesquisador Yves Gouriou, um dos responsáveis pelo projeto. Essas águas, com temperatura média de 4o C, percorrem também o caminho de volta: elas se deslocam dos mares da Noruega e do Labrador (Canadá) rumo ao hemisfério sul com profundidade entre 1000 e 4000 metros. Elas seguem ao longo da costa da Guiana Francesa e do norte do Brasil até a linha do Equador, onde a corrente se bifurca e parte dela segue para o leste.

Observar como as correntes se comportam no Equador era um dos principais objetivos da equipe do Equalant. Nessa região, as correntes não estão sujeitas à influência da rotação da Terra. "Os físicos costumam se referir ao Equador como sendo uma barreira dinâmica", conta Gouriou. O estudo constatou que entre 1o N e 1o S da linha do Equador, de 500 a 2500 metros de profundidade, as correntes se concentram umas sobre as outras em sentidos alternados, e ocupam cada uma cerca de 300 metros de espessura. "Elas formam uma estrutura 'folheada'", explicou.

A pesquisa foi realizada em duas etapas: a primeira em julho e agosto de 1999 na bacia oeste do Atlântico equatorial, e a segunda nos mesmos meses de 2000 na bacia leste. Com a ajuda de um aparelho conhecido como correntômetro com efeito Doppler, foi possível medir parâmetros hidrológicos e químicos como a temperatura da água, a salinidade, a quantidade de oxigênio e de sais nutrientes. Os pesquisadores detectaram a origem das correntes por meio da análise da presença de partículas de clorofluorcarbonos (CFCs - compostos usados em aerossóis, refrigerantes ou solventes, entre outros). Os CFCs ainda não penetraram completamente nos oceanos, e sua presença é notada nas águas originárias dos países nórdicos, principalmente do mar da Noruega e do Labrador.

Renata Ramalho
Ciência Hoje/RJ
28/05/01

 

 
  INÍCIO O INSTITUTO CH ON-LINE REVISTA CH CH DAS CRIANÇAS APOIO À EDUCAÇÃO CONTATO