Os resultados foram obtidos em dois estudos de caso. No primeiro, um satélite da Nasa capturou imagens de nuvens sobre o Oceano Atlântico próximas à costa norte da África durante uma tempestade de areia no deserto do Saara em março de 2000. Os cientistas descobriram que o tamanho das gotículas aumentava à medida que elas se afastavam da tempestade de areia. No segundo estudo, outras imagens retrataram uma situação semelhante em nuvens sobre o leste do Mar Mediterrâneo em março de 1998.
Rosenfeld está envolvido em outro estudo no qual pretende avaliar a eventual relação entre a fumaça emitida na queima de florestas e a diminuição da precipitação nos trópicos. Segundo ele, o fenômeno pode estar associado à atual crise de energia elétrica no Brasil. "Queimadas da Amazônia podem estar reduzindo a quantidade de chuvas da região, o que afeta diretamente a potência hidrelétrica do país." O cientista deve publicar em junho um artigo sobre o tema na revista Arid Lands Newsletter.
Na Amazônia, a parte prática da pesquisa deve começar em agosto. O físico Paulo Artaxo, da Universidade de São Paulo (USP), também está envolvido no projeto. "É um trabalho importante para o Brasil", avalia. "Em vez de estudarmos a poeira do deserto, concentraremos nossa atenção sobre a fumaça emitida pelas queimadas, mas acreditamos que as conseqüências sobre as nuvens sejam semelhantes."
Andressa Camargo
Ciência Hoje/RJ
29/05/01