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 NOTÍCIAS :: METEOROLOGIA

Geração artificial ajuda a entender raios
Indução de relâmpagos por foguetes é adotada pela primeira vez em região tropical

O Brasil está em primeiro lugar no mundo em ocorrência de raios -- estima-se que caiam cerca de 100 milhões de relâmpagos por ano no país, uma média de três por segundo. Para melhor entender o fenômeno, o Grupo de Eletricidade Atmosférica do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) lançou o projeto Geração de Raios Artificiais, que faz uso de foguetes para gerar raios artificialmente. Essa é a primeira vez se aplica o método em uma região tropical do planeta. O experimento pode ajudar a aperfeiçoar a técnica, além de aprimorar sistemas de proteção contra raios.

Raios no céu do Rio de Janeiro (foto: Mirian Fichtner)

Relâmpagos são característicos de tempestades que começam com a união de pequenas nuvens do tipo cúmulos-nimbos, ou Cb -- nuvens brancas com altura e largura vários quilômetros que se formam quando a atmosfera é instável. Essa instabilidade está em geral associada a fenômenos meteorológicos como frentes frias (quando massas de ar com diferentes temperaturas e umidades se chocam), mas também podem estar ligadas à localização da região.

Raios da nuvem para o solo podem ser negativos (A), positivos (B) e bipolares (C). Os positivos são mais perigosos, mas extremamente raros (90% são negativos)


Ainda não se sabe como as nuvens de tempestade tornam-se carregadas: sua estrutura elétrica é bastante complexa e resulta da ocorrência simultânea de processos microfísicos (na escala de centímetros ou metros) e macrofísicos (na escala de quilômetros). Os relâmpagos têm origem nas cargas elétricas nas nuvens, que são positivas no topo, negativas no centro e positivas na base.

Para formar um raio artificialmente, a equipe do Inpe segue os métodos já adotados em outros países. "É preciso que uma nuvem Cb se forme sobre o local onde fica a plataforma de lançamento de foguetes do centro espacial", diz o engenheiro eletrônico Osmar Pinto Júnior, coordenador do projeto. "O foguete é lançado enrolado em um fio condutor que, ao se desenrolar, provoca uma carga inicial que gera o raio quando se choca com a nuvem."

Distribuição da incidência de raios no mundo (em no de ocorrências/km2/hora). O mapa foi elaborado a partir de dados de satélites da Nasa que analisam mudanças nas nuvens e avaliam as condições para a ocorrência de raios


Segundo o pesquisador, o estudo de relâmpagos e sua geração artificial são desafios do ponto de vista científico e tecnológico. "Até hoje, nenhum centro espacial do mundo conseguiu gerar um relâmpago positivo", exemplifica. "Além disso, os raios artificiais, com carga elétrica de aproximadamente 20 mil ampères, são duas vezes mais fracos que os naturais."

O projeto Geração de Raios Artificiais começou em 1999 e teve sua primeira campanha no verão de 2001, com 18 lançamentos bem-sucedidos e cinco raios formados. A expectativa é que o número aumente em 2002. "A idéia é melhorar a eficiência, pois resultados baseados em grande quantidade de eventos têm mais credibilidade", diz Osmar Pinto. Os estudos sobre raios devem contribuir para a melhor compreensão do fenômeno, além de aprimorar sistemas de proteção contra ele.

Sarita Coelho
Ciência Hoje on-line
13/12/01

 

 
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