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 NOTÍCIAS :: METEOROLOGIA

Poluição atmosférica contribuiria para seca no norte da África 
Redução de chuvas coincidiu com aumento da emissão de partículas de sulfato

Não são apenas os gases de efeito estufa que contribuem para a mudança do clima na Terra: partículas de sulfato, com cerca de um micrômetro (10-6 metro) de diâmetro, também afetam a temperatura dos oceanos e a distribuição de chuvas no planeta. O acúmulo dessas partículas na atmosfera teria sido responsável por fenômenos como a seca que atinge o norte da África há algumas décadas. É o que sugere estudo desenvolvido por cientistas da Organização para Pesquisa Científica e Industrial da Austrália. O trabalho será publicado em agosto no Journal of Climate.

Precipitação ao longo do mês de julho no período pré-industrial (esq.) e nos anos 1980 (dir.). Em laranja, áreas que tiveram menor índice pluviométrico; em azul, aquelas com maior ocorrência de chuva

Partículas de sulfato são geradas principalmente durante a queima de combustíveis fósseis e a fundição de metais. Porém, também podem ser produzidas por queimadas em florestas. Existem ainda outros tipos de partículas lançadas na atmosfera que afetam o clima, como a fuligem (gerada em motores a diesel) e os aerossóis de carbono orgânico (produzidos na queima de vegetação).

"Estudamos os efeitos de aerossóis de sulfato na formação de nuvens", conta à CH on-line o pesquisador Leon Rotstayn. Na presença de partículas de sulfato, as nuvens são formadas por gotas d'água menores, demoram a precipitar na forma de chuva e refletem mais luz. A reflexão mais intensa de luz causa um aquecimento dos oceanos embaixo das nuvens. "Buscamos verificar como o padrão de chuvas se altera em resposta à mudança de temperatura dos oceanos", afirma Rotstayn.

Para investigar os efeitos de partículas de sulfato no clima global, os cientistas utilizaram um modelo de computador. "Fizemos duas simulações: uma com as emissões de enxofre durante a década de 1980 e outra com as emissões do período pré-industrial", explica Rotstayn. "Em seguida, analisamos as diferenças entre as duas simulações."

Os resultados sugerem que, ao longo do século passado, as chuvas tenderam a se dirigir para o hemisfério sul. As simulações apontaram, por exemplo, que a quantidade de chuvas na Austrália aumentou durante o século 20. Indicaram também que a precipitação de chuvas na região do Sahel, no norte da África, diminuiu significativamente no mesmo período.

O fato de a seca no Sahel ter sido um pouco mais branda na década de 1990 do que na de 1980 sustenta os resultados dos pesquisadores. Em 1980, Europa e Estados Unidos respondiam pela maioria das emissões de aerossóis de sulfato, mas na década de 1990 reduziram a produção dessas partículas. "Hoje, a Ásia é a principal emissora de aerossóis de sulfato", comenta Rotstayn.

Segundo o pesquisador, ainda é difícil dizer como a poluição do ar afeta o clima no Brasil. O modelo de computador sugere que os aerossóis de sulfato poderiam causar um aumento do volume de chuvas no leste do país. "Mas isso é apenas especulação, pois não incluímos no modelo os efeitos de partículas de carbono orgânico produzidas durante queimadas na Amazônia", pondera Rotstayn. "No futuro, pretendemos incluir tais efeitos em nossas simulações."

Fernanda Marques
Ciência Hoje on-line
28/06/02

 

 
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