SOMENTE NO ACERVO
DA REVISTA CH
 
   
   
   
   
   
   
   
 

Malefícios do tabagismo

A cada dia, descobrem-se novos males ligados ao consumo do cigarro. O tabaco é composto de três substâncias nocivas à saúde: alcatrão, nicotina e monóxido de carbono. O alcatrão possui cerca de 4700 substâncias tóxicas, dentre elas 40 comprovadamente cancerígenas, como o 3.4 benzopireno e o polônio 210. A acreoleína (substância derivada do alcatrão) paralisa os cílios pulmonares responsáveis pela limpeza de secreções produzidas pelo corpo, causando infecções. A nicotina é responsável pela dependência e tem uma atuação no sistema nervoso central comparável à da cocaína. Em apenas 10 segundos, ela chega ao cérebro, causando alterações no comportamento e dificuldade na aprendizagem. Além de aumentar a viscosidade do sangue, a nicotina faz com que as paredes do vasos sangüíneos se contraiam e fiquem ásperas, permitindo o alojamento de gordura dentro deles. Ela também estimula a produção do ácido clorídrico, podendo causar úlcera gástrica. Por fim, o monóxido de carbono, cuja ligação com a hemoglobina forma um composto que dificulta o oxigenação do sangue, privando alguns órgãos de oxigênio, além de causar doenças como a arterosclerose. A cessação do fumo pode trazer efeitos benéficos imediatos e reduzir a predisposição às doenças provocadas pelo tabagismo. Quem para de fumar tem, por exemplo, o risco de infarto diminuído pela metade em cinco anos. 


Números do tabagismo
Algumas das estatísticas levantadas pelo Instituto Nacional de Câncer (Inca) impressionam. Confira:
- 90% dos fumantes ficam dependentes da nicotina entre 5 e 19 anos de idade;
- A proporção de fumantes na zona rural é maior do que na zona urbana, em todas as faixas etárias;
- 47% de toda a população masculina no mundo e 12% da feminina fumam;
- 24% das mulheres dos países desenvolvidos têm o hábito de fumar; nos países em desenvolvimento, elas são 7%;
- Pesquisa realizada pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) mostra houve um declínio no consumo de cigarros no Brasil. De 1987 a 1999, o número anual de cigarros por pessoa caiu de 1838 para 975, uma queda de 53%;
- No Brasil, a região Sul concentra o maior número de fumantes: 42% da população. Porto Alegre tem os maiores índices conhecidos de câncer de pulmão no país.

 

 NOTÍCIAS :: MEDICINA E SAÚDE

Cortina de fumaça 
Projeto de lei proíbe publicidade de cigarros e aperta o cerco contra o tabagismo

O governo federal está intensificando sua ofensiva no controle ao tabagismo. Um projeto de lei proibindo a publicidade de cigarros e o patrocínio de eventos culturais e esportivos pela indústria de tabaco foi recentemente aprovado pelo Congresso Nacional, faltando apenas ser sancionado pelo Senado para entrar em vigor. Além disso, o Ministério da Saúde vem veiculando uma campanha com mensagens mais agressivas contra o tabagismo. O objetivo é diminuir o número de fumantes a curto prazo.

Cerca de 1/3 da população brasileira adulta fuma

Os 27 países que aplicam restrições à publicidade do tabaco vêm conquistando resultados significativos. Na França, que adotou a medida recentemente, a redução do consumo chegou a 14% em três anos. Na Finlândia e na Noruega, o consumo per capita caiu, em 15 anos, entre 14 e 37%. A Organização Mundial de Saúde estima que haja entre 200 milhões e 1 bilhão fumantes no mundo. Cerca de 1/3 da população brasileira adulta fuma, índice alto diante do de outros países, sobretudo da América Latina.

Os malefícios causados pelo tabagismo estão por trás de 85% das mortes provocadas por doença pulmonar obstrutiva crônica, 25% das resultantes de doenças coronarianas e 30% dos óbitos decorrentes de todos os tipos de câncer, conforme indicam as estatísticas do Instituto Nacional de Câncer (Inca). O tabaco é nocivo também àqueles que não fumam: "cerca de 30% dos casos de câncer de pulmão em não-fumantes estão relacionados ao tabagismo passivo", afirma a médica Luísa da Costa e Silva Goldfarb, do Programa Nacional do Controle ao Tabagismo do Inca.

Peça da campanha do Ministério da Saúde para combater o tabagismo


Os fabricantes não desconhecem os malefícios provocados pelo cigarro e o poder de dependência da nicotina: nos Estados Unidos, documentos confidenciais da indústria do tabaco recém-revelados mostram a manipulação de resultados de pesquisas desfavoráveis aos fabricantes e a descrição dos adolescentes de 14 a 24 anos como 'o negócio de amanhã'.

O projeto que proíbe a publicidade de tabaco causou polêmica entre os fabricantes de cigarros. Segundo eles, o governo estaria violando o direito à liberdade de expressão. "Esse direito deve ser respeitado desde que não esteja sendo usado para vender coisas que fazem mal", contra-argumenta a Dra. Goldfarb. "Essa discussão é um jogo para colocar uma cortina de fumaça nos olhos da população." Os fabricantes atacam também o fato de não ser proibida a publicidade de outros produtos que fazem mal à saúde, como o álcool. "Tabaco e álcool são duas drogas completamente diferentes", contesta a Dra. Goldfarb. "Não existe limite de segurança para o consumo de cigarro, que é o único produto que mata se for usado como indicado pelo fabricante. Quanto ao álcool, somente seu uso excessivo ou inadequado ao dirigir aumenta o risco de morte e gera problemas sociais."

Helena Aragão
Ciência Hoje/RJ
21/08/00

 

 
  INÍCIO O INSTITUTO CH ON-LINE REVISTA CH CH DAS CRIANÇAS APOIO À EDUCAÇÃO CONTATO