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O desenvolvimento do coração auxiliar artificial com dois ventrículos é uma iniciativa pioneira no mundo. No Brasil, existe um modelo com apenas um ventrículo que, por isso, não é um coração completo, mas uma bomba de assistência circular. A peça não é implantável, ou seja, fica localizada fora do corpo humano. Os Estados Unidos também produzem bombas de assistência circular e existem casos de pacientes que vivem há um ano com o auxílio delas. Além disso, a Universidade de Utah desenvolveu e testou com sucesso um coração totalmente artificial, que substitui o natural e funciona com autonomia. "Mas o transplante ainda é a melhor solução", garante Aron de Andrade.

 

 NOTÍCIAS :: MEDICINA E SAÚDE

Coração auxiliar artificial
Iniciativa pioneira poupa pacientes que esperam por transplante

Está sendo desenvolvido no Brasil o primeiro coração auxiliar artificial para uso por pacientes que aguardam transplante. Criada pelo engenheiro mecânico especialista em biomédica Aron de Andrade, do Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia, em São Paulo, a peça é implantada dentro do corpo humano e possui dois ventrículos, ao contrário de equipamentos similares. Pouco maior que uma bola de tênis, o coração artificial é feito de um plástico especial - o poliuretano. Suas paredes internas são revestidas por colágeno, para que o sangue não entre em contato com o plástico e coagule. A peça é alimentada por um motor elétrico, localizado entre dois diafragmas (membranas de silicone que formam os dois ventrículos).

O coração auxiliar artificial é implantado no lado direito do tórax,
paralelamente ao coração. Em pacientes pequenos, pode ser colocado no abdome, abaixo do coração natural

O coração auxiliar é ligado ao natural por válvulas biológicas de pericárdio bovino (membrana que envolve a válvula artificial para evitar rejeição). O ventrículo artificial direito auxilia seu equivalente natural bombeando o sangue com mais pressão para o pulmão. O ventrículo artificial esquerdo envia o sangue com mais força para a aorta, que o distribui pelo corpo. Assim, as limitações provocadas pelo coração doente diminuem e o paciente tem mais tempo para aguardar o transplante. Em casos de parada cardíaca, o coração auxiliar pode assumir por tempo limitado as funções do natural, permitindo que o paciente seja socorrido a tempo.

O motor do coração artificial é ligado a um sistema mecânico que impulsiona os diafragmas, fazendo com que eles bombeiem o sangue


O motor do coração artificial é movido por duas baterias desenvolvidas na Universidade de São Paulo (USP): uma interna, que fica no abdome e é ligada à peça por fios, e outra externa, localizada em uma bolsa junto à pele, que produz um campo magnético que carrega a bateria interna e fornece energia para o coração auxiliar. A bateria interna só é utilizada quando o paciente precisa se afastar da externa, para tomar banho ou trocar de roupa, por exemplo, mas sua autonomia é de apenas 45 minutos. Junto à bateria interna, um software desenvolvido pelo Instituto Tecnológico da Aeronáutica, no Rio de Janeiro, controla o ritmo do coração artificial. Adaptações no formato da peça estão sendo estudadas na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) para que uma possível turbulência no fluxo sangüíneo não destrua hemácias.

O valor do novo coração - R$ 30 mil - é muito inferior ao do similar americano (R$300 mil), pois além de utilizar um circuito mais simples, as despesas com mão-de-obra, implante e manutenção são menores. A peça foi testada com eficácia em carneiros e funcionou por cinco horas. Aron de Andrade acredita que o equipamento possa ser usado em humanos no final de 2001. "Na cirurgia de implante, o coração natural continua funcionando e não é preciso manter as funções do paciente por meio de aparelhos."

Thaís Fernandes
Ciência Hoje/RJ
20/10/00

 

 
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