O motor do coração artificial é movido por duas baterias desenvolvidas na Universidade de São Paulo (USP): uma interna, que fica no abdome e é ligada à peça por fios, e outra externa, localizada em uma bolsa junto à pele, que produz um campo magnético que carrega a bateria interna e fornece energia para o coração auxiliar. A bateria interna só é utilizada quando o paciente precisa se afastar da externa, para tomar banho ou trocar de roupa, por exemplo, mas sua autonomia é de apenas 45 minutos. Junto à bateria interna, um software desenvolvido pelo Instituto Tecnológico da Aeronáutica, no Rio de Janeiro, controla o ritmo do coração artificial. Adaptações no formato da peça estão sendo estudadas na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) para que uma possível turbulência no fluxo sangüíneo não destrua hemácias.
O valor do novo coração - R$ 30 mil - é muito inferior ao do similar americano (R$300 mil), pois além de utilizar um circuito mais simples, as despesas com mão-de-obra, implante e manutenção são menores. A peça foi testada com eficácia em carneiros e funcionou por cinco horas. Aron de Andrade acredita que o equipamento possa ser usado em humanos no final de 2001. "Na cirurgia de implante, o coração natural continua funcionando e não é preciso manter as funções do paciente por meio de aparelhos."
Thaís Fernandes
Ciência Hoje/RJ
20/10/00