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Descoberto novo vírus mortal
Pesquisadores já isolaram o microorganismo e agora tentam identificá-lo
Há dois anos, um trabalhador da zona rural de São Paulo procurou a Santa Casa de São João da Boa Vista, no interior do estado, com sintomas de gripe, febre alta, dores nos músculos e articulações, mal-estar e tosse. Três dias depois, o paciente apresentava taquicardia, sangue na urina e na expectoração - características da febre hemorrágica. Seu estado se agravou e, apesar de inúmeras tentativas dos médicos, o paciente morreu após oito dias de internação. Os sintomas foram provocados por um vírus, que já foi isolado pelos pesquisadores do Instituto Adolfo Lutz, em São Paulo, que agora tentam identificá-lo.
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O microorganismo descoberto é um arenavírus, como o da imagem acima | | |
O microorganismo isolado pertence ao grupo dos arenavírus. Segundo a pesquisadora Teresinha Lisieux Moraes Coimbra, que coordena os estudos sobre o vírus, nem todos os tipos de arenavírus são letais. No entanto, o vírus Junin, descoberto na Argentina, o Machupo, na Bolívia, e o Sabiá, no Brasil, são considerados de alta periculosidade: eles provocam febre hemorrágica e podem levar o paciente à morte rapidamente. No Brasil, uma engenheira agrônoma morreu em 1990 ao ser contaminada pelo Sabiá durante pesquisa em laboratório.
Normalmente, arenavírus se hospedam em roedores. Eles podem ser transmitidos por meio da saliva, urina e fezes dos roedores infectados que não adoecem. "Foi pelo fato de o paciente trabalhar na zona rural, em máquinas de moer café, onde a presença dos roedores é constante, que começamos a pensar na possibilidade de se tratar de um arenavírus", disse a pesquisadora. No entanto, no início das pesquisas, ainda houve a suspeita de que pudesse se tratar de um hantavírus. "Mas ao realizarmos o teste sorológico para esse tipo, o resultado foi negativo", disse Teresinha.
A partir daí, começaram os testes de identificação do arenavírus. Por se tratar de um caso raro e único até o momento, a pesquisadora não pode afirmar se o microorganismo isolado é um novo tipo de vírus ou se é apenas uma nova cepa do Sabiá. "O vírus está em processo de identificação. Nas provas sorológicas realizadas em laboratório, ele se aproximou mais das características do Sabiá, mas é preciso fazer ainda seu seqüênciamento", explica.
O vírus foi isolado e introduzido em camundongos recém-nascidos, provocando paralisia e tremores nos animais. Durante a observação, o microorganismo foi coletado para ser usado como prova no processo de identificação - procedimento bastante comum nos laboratórios. Segundo Teresinha, a pesquisa está parada no momento por não haver segurança na manipulação do vírus. "Ainda não sabemos exatamente como ele pode ser transmitido."
Cristina Souto Ciência Hoje/RJ 08/02/01 |