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Cérebro pode comandar hipertensão arterial
Identificada região do bulbo que exerce controle sobre 'pressão alta'
Uma região específica do cérebro localizada no bulbo pode estar ligada à manutenção de dois tipos de hipertensão arterial - uma associada ao bloqueio do óxido nítrico da circulação e outra à oclusão parcial de uma artéria renal. Segundo a fisiologista responsável pela pesquisa - Cássia Bergamaschi, da Escola Paulista de Medicina da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) -, a descoberta será importante para o desenvolvimento de drogas de efeito mais específico contra essa doença.
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A estimulação farmacológica por meio de micropipetas da região rostroventrolateral (RVL) do cérebro de um rato levou ao aumento da pressão arterial e do bomeamento cardíaco do animal | | |
A hipertensão arterial se caracteriza pelo aumento da pressão sangüínea no interior das artérias. Suas causas ainda são desconhecidas, mas já se sabe que a hereditariedade contribui para seu surgimento, e também que componentes externos como cigarro, bebida, obesidade, sedentarismo e estresse podem aumentar a pré-disposição a seu desenvolvimento.
A literatura médica já tinha conhecimento do controle que o sistema nervoso exerce sobre a pressão arterial em pessoas normais. Alguns estudos mostraram também que ele desempenha papel importante na contração dos vasos em hipertensos. Segundo Cássia, já existem até medicamentos que combatem a doença ao agir diretamente sobre o sistema nervoso. "Mas tais drogas ainda atingem uma região muito ampla."
Segundo a cientista, a novidade de sua pesquisa consiste em identificar a área específica do sistema nervoso que governa o quadro clínico da hipertensão. "Conseguimos ser mais precisos e chegamos a uma área, chamada rostroventrolateral do bulbo, que permanece muito mais ativa em hipertensos." Para identificar essa região, a pesquisadora estudou dois grupos de ratos induzidos a desenvolver hipertensão arterial.
No primeiro, ela bloqueou o óxido nítrico produzido pelo organismo dos animais. A substância, importante para o funcionamento do sistema cardiovascular, é responsável pelo relaxamento dos vasos sangüíneos. No segundo, um anel de prata foi colocado na artéria de um dos rins dos ratos. Em ambos os casos, os vasos dos animais se contraíram e a pressão arterial subiu. A etapa seguinte foi submetê-los a exames de laboratório que apontaram a região exata do cérebro que se tornou hiperativa a partir do surgimento dos dois tipos de hipertensão.
Cássia explica que, ao perceber a contração dos vasos, o cérebro manda estímulos nervosos até eles e passa a manter o nível elevado de pressão. "É como se dissesse: 'agora é comigo'", conta. A pesquisadora ainda não sabe como o cérebro é informado da contração dos vasos. "Temos uma hipótese: substâncias liberadas na circulação levam a notícia até o sistema nervoso. Mas nada está comprovado ainda."
Embora a cientista tenha estudado em camundongos a função da área rostroventrolateral em dois tipos específicos de hipertensão arterial, ela acredita que a região possa estar envolvida também em outros tipos. No entanto, mais estudos seriam necessários para atestar essa relação.
Andressa Camargo Ciência Hoje/RJ 19/04/01 |