SOMENTE NO ACERVO
DA REVISTA CH
 
   
   
   
   
   
   
   
 

 

 NOTÍCIAS :: MEDICINA E SAÚDE

Ação do vírus da Aids descrita em detalhes
Pesquisadores relatam mecanismos moleculares da infecção pelo HIV

O desenvolvimento devastador dos danos provocados nas células devido à infecção pelo HIV -- vírus causador da síndrome da imunodeficiência adquirida (Aids) -- foi detalhadamente descrito por pesquisadores da Universidade da Califórnia em San Diego (EUA). Os resultados do estudo coordenado pelo professor Jacques Corbeil foram publicados em julho de 2001 na revista Genome Research.

O HIV infecta células do sistema imune, primariamente as chamadas células TCD4+ (linfócitos T que expressam moléculas CD4 em sua superfície). Ao se ligar à molécula CD4, o vírus entra na célula, onde utilizará a maquinária bioquímica para sua replicação. Dada a complexa biologia do HIV, as manifestações clínicas da doença são bastante variáveis.

A infecção inicial pode ser assintomática ou vir acompanhada por febre, dores musculares, de garganta etc. Após essa fase, há a infecção latente, que pode durar entre 2 e 10 anos (ou mais, em alguns casos). Em seu estágio final, a Aids é caracterizada por uma grave depressão do sistema imune, com aumento da suscetibilidade a diversas enfermidades. Isso acontece porque a população de células TCD4+ fica muito reduzida.

Para compreender mais profundamente a atividade genética em células TCD4+ da infecção à morte celular, cerca de 7000 genes foram monitorados entre 30 minutos e 72 horas de exposição ao HIV. A determinação dessa atividade em células saudáveis e infectadas foi feita com chips de silicone cobertos com fragmentos de DNA que representam seqüências conhecidas de genes.

Quando esses chips são expostos a células especificamente marcadas, o DNA reconhece os genes ativos e se liga a eles. Em seguida, um programa de computador compara a expressão gênica em células sãs e doentes. Antes, o estudo do HIV baseava-se apenas nas manifestações clínicas. O advento da bioinformática permite a análise dos mecanismos moleculares envolvidos na infecção.

Os resultados obtidos mostram que o HIV desativa genes que regulam e mantêm o constante e adequado ambiente intracelular. O vírus bloqueia a síntese de proteínas essenciais ao metabolismo celular e suprime ainda genes que reparam alterações no DNA. Assim, danos causados pelo HIV não são consertados e as células TCD4+ são induzidas ao 'suicídio'.

Por isso, pacientes com Aids apresentam o sistema imune debilitado e tornam-se vulneráveis a infecções por uma série de outros microrganismos. "Uma melhor compreensão das etapas envolvidas na destruição das células do sistema imune pelo HIV abre a porta para novas investigações de métodos que possam bloquear ou prevenir a infecção", disse Corbeil à CH on-line. "Estamos ampliando os estudos com células TCD4+ e macrófagos e, mais tarde, trabalharemos com culturas de órgãos imunes, tais como tonsilas [antes conhecidas como amígdalas]."

Fernanda Marques
especial para Ciência Hoje on-line
26/07/01

 

 
  INÍCIO O INSTITUTO CH ON-LINE REVISTA CH CH DAS CRIANÇAS APOIO À EDUCAÇÃO CONTATO