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A gripe através dos tempos
Livro rico em imagens e curiosidades relata história da doença e seus tratamentos
"Por volta do ano 2500 a.C., no Egito, o Faraó voltou de uma viagem com febre, corpo mole e dores por toda a parte. O padre-médico-tesoureiro aconselhou-o a passar o dia em repouso, tomando chá de flores de camomila ou uma garrafada misteriosa que continha extrato de plantas e outros ingredientes." O relato mostra que, milhares de anos atrás, os sintomas da gripe e as medicações recomendadas eram muito semelhantes às usadas hoje.
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À esq., papiro médico grego com receitas, tratamentos e encantamentos mágicos e religiosos; à dir., Hipócrates, mais célebre figura da medicina clássica grega | | |
Responsável por milhões de mortes no século 20 (atualmente, cerca de 12 mil brasileiros morrem anualmente vítimas da doença), a gripe influenza, conhecida como a "última grande praga", ainda é uma das doenças virais mais estudadas neste início de milênio. O difícil controle da moléstia e sua longa história motivaram o médico João Toniolo Neto, professor da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), a publicar o livro A história da gripe - a influenza em todos os tempos e agora...
Em 412 a.C., foi registrado na Grécia o primeiro relato científico da influenza. Hipócrates, pai da medicina, falava de uma doença respiratória que durou algumas semanas, matou muitas pessoas e desapareceu. Chá de artemísia, vitamina C e alface eram recomendados pelos gregos para quem apresentasse os sintomas da gripe. Outros povos antigos também desenvolviam meios de lidar com a doença. Os chineses, por exemplo, tratavam a gripe com fórmulas provenientes da natureza, como chá de bulbo de cebolinha.
Apesar de surtos epidêmicos registrados em séculos anteriores, é no século 20 que a doença toma grandes proporções: a gripe matou mais pessoas que as duas Guerras Mundiais juntas. O maior surto da doença nesse século foi a pandemia de Gripe Espanhola de 1918 (pandemias são epidemias que atingem diversas partes do globo). O surto recebeu esse nome porque a Espanha foi um dos últimos países a ser atingido. A gripe vitimou cerca de 40 milhões de pessoas no mundo e infectou cerca de metade da população do planeta. A Gripe Espanhola ficou então conhecida como 'o maior holocausto médico já visto'. O Brasil também foi fortemente afetado pela pandemia: cerca de 350 mil pessoas (ou 65% da população) foram infectadas, com mais de 3 mil mortes.
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Bonde circula por cidade brasileira carregado de caixões em 1918 | | |
Ao contrário do que muitos pensam, a gripe não é uma doença de evolução benigna. Por isso, o controle é fundamental. Medicamentos antivirais e vacinação são opções modernas e eficientes para combater a gripe. Porém, não fica excluída a possibilidade de que, no início deste século, possa ocorrer uma nova pandemia.
Com linguagem fácil e ilustrado por diversas imagens que por si só justificariam o interesse pela publicação, o livro de José Toniolo relata uma história rica em casos e curiosidades sobre a gripe. Dividida em quatro partes -- "os primeiros relatos", "no decorrer dos séculos", "as grandes pandemias" e "e agora ..." --, a obra vem preencher uma lacuna na literatura sobre o assunto.
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A História da Gripe - A influenza em todos os tempos e agora... João Toniolo Neto Dezembro XII Editorial, São Paulo, 2001 - 92 páginas
A distribuição do livro é gratuita. Os mil exemplares esgotaram-se rapidamente. Em breve, será lançada uma nova edição que poderá ser adquirida pela internet. |
Andrea Guedes Ciência Hoje on-line 08/08/01 |